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Emilinha Borba

Emília Savana da Silva Borba
31/8/1923 Rio de Janeiro, RJ
3/10/2005 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Fenômeno, talvez, para apreciação antes sociológica do que musical, rainha absoluta dos auditórios e, para além deles, estrela mais popular de todo o rádio, no período de mais afirmação e maior alcance nacional desse veículo, o que inclui a segunda metade dos anos 40 e a primeira dos anos 50, Emilinha Borba não contou com as graças da crítica desse tempo. Sua voz chegou a ser classificada de “quadrada e desagradável”. O repertório — uma seqüência considerada marcante de boleros, rumbas, baiões e marchinhas — seria medíocre, tanto do ponto de vista poético quanto do melódico, e de irremediável mau gosto. Na mídia da época, uma suposta elite estética autonomeada e mesmo apreciações comedidas realçavam-lhe apenas os inegáveis dotes de simpatia e comunicabilidade. Na verdade, quase sempre essas pesadas restrições a Emilinha, ainda que inconscientemente, procuravam atingir o espaço do qual ela era símbolo, os auditórios de rádio, povoados a partir de 1945 por um populacho urbano em certa ascensão social. O distanciamento veio permitir uma reavaliação. A voz de pequena extensão, um tanto anasalada, talvez abusasse dos "trèmolos". Mas era sempre bem emitida e de timbre agradável. A interpretação surpreende: Emilinha era romântica nos boleros e sambas-canção, maliciosa nas rumbas e nos mambos, brejeira nos baiões e toadas, alegre nos sambas e contagiante nas marchinhas carnavalescas. Ao repertório também se fez injustiça: Emilinha gravou muitos — e alguns muitas vezes — dos grandes compositores brasileiros. É a criadora e lançadora de pelo menos dois clássicos, tão cultuados hoje quanto há meio século: o samba-canção "Se queres saber" (Peterpan), de 1947, e o baião "Paraíba" (Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira), de 1950. Há ainda a extensa lista de sucessos carnavalescos, liderada por "Chiquita bacana" (João de Barro-Alberto Ribeiro), de 1949.



Moacyr Andrade

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