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Elisa Coelho

Elisa de Carvalho Coelho
1/3/1909 Uruguaiana, RS
2001 Volta Redonda, RJ

Dados Artísticos

"Criadora de um cantar todo seu", segundo Orestes Barbosa, com  sua voz meiga e graciosidade, estabeleceu-se na música popular brasileira interpretando sambas e sambas-canção. Destacando-se pelo  excelente repertório, passou a cantar músicas de Hekel Tavares, com quem excursionou pela Bahia e pelo restante do Nordeste em 1930. Neste mesmo  ano, convidada por Josué de Barros, gravou seu primeiro disco na Victor interpretando os sambas "A minha viola é de primeira" e "Capelinha de melão", ambos de Tia Amélia. No mesmo ano, gravou com acompanhamento de violões os sambas "Iaiazinha", de Plínio Brito, e "Escrita errada", de Joubert de Carvalho, em disco apenas lançado em fevereiro do ano seguinte. Em 1931, gravou com Sílvio Caldas e coro do Teatro Recreio o "Batuque" e o samba "Terra de Iaiá", ambas de Ary Barroso. Em seguida, gravou com acompanhamento do Grupo do Canhoto, de Rogério Guimarães, o samba-canção "Tenho saudade" e o samba "É bamba", ambos de Ary Barroso. Ainda no mesmo ano, gravou com destaque "No rancho fundo", famoso samba de Ary Barroso. O compositor, que era seu grande admirador, não apenas a escolheu para realizar a primeira gravação de "No rancho fundo", como também a acompanhou ao piano, com Rogério Guimarães ao violão, numa rara gravação onde é cantado integralmente o belo poema criado por Lamartine Babo. O outro lado do disco incluiu a toada "Ciúme de cabocla", de Lourival de Carvalho, o Louro, gravação feita um ano antes com acompanhamento de violões. Também no mesmo ano, gravou com o Bando de Tangarás o samba "Nega baiana", de Ary Barroso e Olegário Mariano, e o fox-blue "O que foi que eu fiz", de Augusto Vasseur e Luiz Peixoto, e participou de um Festival promovido pela gravadora Parlophon no Teatro-Cassino Beira-Mar, juntamente com o Bando de Tangarás, Ary Barroso, Luperce Miranda e outros. Ainda nesse ano, gravou os sambas "Na Bahia", de Dario Ferreira e Benedito Lacerda, e "Meu home", de J. Aimberê, contando nessa gravação com o acompanhamento da Orquestra Guanabara. Em 1932, gravou o samba-canção "Palmeira triste", de Ary Barroso e Lamartine Babo, e a canção "Primeiro amor", de Ary Barroso, em disco que contou com o acompanhamento de Rogério Guimarães ao violão e Ary Barroso ao piano. Gravou ainda no mesmo ano, o  samba canção "Praga", de J. Aimberê, e a canção "Como é o nome de papai?", de Augusto Vasseur e Luiz Peixoto, com acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira. No mesmo ano, atuou no espetáculo "2º Broadway cocktail", ao lado de Almirante, Sílvio Caldas, Carolina Cardoso de Menezes, Lamartine Babo e Laura Soares, no Cine Teatro Broadway. Atuou em diversas emissoras, apresentando-se, entre outros, no "Programa Casé". Também em 1932, gravou com acompanhamento do Grupo da Guarda Velha, dirigido por Pixinguinha, os sambas "Viva o meu Brasil!" e "Nega Maria", ambos de J. Thomaz. Gravou para o carnaval de 1933, também com o acompanhamento do Grupo da Guarda Velha, as marchas "Coração de picolé", de Paulo Neto de Freitas, e "Fon-fon",  de Heitor dos Prazeres. No mesmo ano, atuou no filme musical "Alô, alô, Brasil" dirigido por Wallace Downey interpretando o samba-canção "Fiquei sabendo", de Custódio Mesquita. Em 1934, foram lançados dois discos pela Victor com gravações suas. No primeiro foram incluídas a canção "Bateram na minha porta", de Ary Barroso, gravação feita dois anos antes com acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira, e a toada "Eu tenho medo de mim...", de Marcelo Tupinambá e Samuel de Mayo, registrada em fevereiro de 1934, também com acompanhamento da Orquestra Victor Brasileira. No segundo disco, foram registradas a "Dança negra", de Hekel Tavares e  Sodré Viana, e "Humaitá", tema folclórico recolhido por Hekel Tavares, gravações nas quais foi acompanhada  pelos Irmãos Tapajós.  No mesmo ano, em seu único disco na Odeon, que foi também o último de sua carreira, registrou o samba-canção "Caco velho", de Ary Barroso, compositor a quem dedicou quase a  metade de sua discografia e a "Canção da felicidade", de Ary Barroso e Oduvaldo Viana, contando nessa gravação com os acompanhamento de Rogério Guimarães e Nogueira ao violão e Ary Barroso ao piano. Também no mesmo ano, atuou no filme "Alô, alô Brasil", co-dirigido por Wallace Downey, Alberto Ribeiro e João de Barro.
Nos anos de 1935 e 1936, excursionou duas vezes à Argentina e ao Uruguai.  Atuou no rádio até o fim da década de 1940. Em 1938, apresentou-se como cantora e atriz na peça "Malibu", de Henrique Pongetti, encenada pela companhia de Raul Roulien. No Cassino da Urca, fez duetos com astros internacionais como Pedro Vargas e Jean Sablon, tendo ainda no mesmo local ensinando Josephine Baker a cantar em português o samba "O que é que a baiana tem?" de Dorival Caymmi.  Abandonou a carreira artística alguns anos depois, passando a residir na cidade de Volta Redonda. Sua discografia, realizada entre 1930 e 1934, compõe-se de 14 discos gravados na RCA Victor, na Parlophon e na Odeon.
Em 1946, participou juntamente com Pixinguinha, Donga, J. Cascata, Patrício Teixeira e os músicos da Velha Guarda, de um espetáculo na cidade fluminense de Volta Redonda, organizado por Almirante. Em 1956, participou em São Paulo, a convite de Almirante, do II Festival da Velha Guarda, atuando em show realizado no Largo da Concórdia. Em 1968, a gravadora RCA Camden lançou o LP "As mais famosas duplas da Velha Guarda" com gravações originais de duplas como Francisco Alves e Carmen Miranda; Marília Batista e Noel Rosa, e Carlos Galhardo e Aurora Miranda, entre outras. Está presente nesse disco sua gravação para "Batuque", de Ary Barroso, que ela gravou em dupla com Silvio Caldas. Em 1989, o selo Revivendo lançou o LP "No rancho fundo" com interpretações suas e de Jesy Barbosa, Silvio  Caldas e Breno Ferreira. Nesse disco estão presentes as seguintes gravações suas:  "A minha viola é de primeira", de Amélia Brandão Nery, "No rancho fundo" e "Palmeira triste", ambas de Ary Barroso e Lamartine Babo, Pela mesma época, o selo Revivendo lançou o LP "Parada de ouro" contendo gravações originais suas e de Francisco Alves, Januário de Oliveira, Sônia Barreto, Gastão Formenti, Madelou Assis e Albênzio Perrone. Estão presentes suas interpretações para "Escrita errada", de Joubert de Carvalho, e "Ciúme de cabôca", de Josué de Barros. Em 2004, por ocasião do centenário de nascimento de Ary Barroso o selo Revivendo lançou três CDs em homenagem ao compositor e ela aparece com as interpretações de "Palmeira triste", de Ary Barroso e Lamartine Babo, e " É bamba", de Ary Barroso e Luiz Peixoto.

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