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Edith do Prato

Edith Oliveira Nogueira
1916 Santo Amaro da Purificação, BA
8/1/2009 Salvador, BA

Dados Artísticos

Sua estréia artística ocorreu no início dos anos 1970, quando, em Feira de Santana (BA), um grupo de teatro amador, do qual fazia parte o atual jornalista Luís Pimentel, convidou os cantores e compositores César e Roberto Mendes, que a levaram a participar do espetáculo. Em 1973, fez uma participação especial no disco "Araçá azul", de Caetano Veloso, interpretando o samba de roda "Viola meu bem", de domínio público.

Em 1983, participou do disco "Ciclo", de Maria Bethânia, interpretando a chula "Filosofia pura".

Em 2002, gravou o CD "Vozes da Purificação", cujo título também nomeia o grupo de oito cantoras de Santo Amaro, também septuagenárias, que lhe fazem coro. Produzido por J. Veloso e lançado inicialmente em uma tiragem comercial restrita, o disco contou com a presença de Maria Bethânia nas faixas "Quem pode mais", "Dona da casa" e "Eu vim aqui", todas de domínio público. Também fazem apresentação especial no disco o cantor Caetano Veloso na faixa "Minha senhora" e o sambista Roque Ferreira na faixa "Ariri vaqueiro". Entre os destaques do disco, as faixas "Raiz", de Roberto Mendes e Jota Velloso e o "Hino de Nossa Senhora da Purificação", de Carlos Sepulveda. O CD e DVD "Vozes da Purificação" foi lançado comercialmente em 2003, aos 87 anos da artista, pelo selo Quitanda, criado por Maria Bethânia e Kati Almeida Braga. Nesse DVD a artista conta como foi sua iniciação musical dizendo: "Toda a vida fui louca por samba, fugia para espiar o samba. Eu ficava raspando uma cuia de queijo, mas não acertava nada. Um dia, com uma faca e um prato de doce, peguei o ritmo. Fiquei afamada por isso e, todo caruru, festa de aniversário, me chamavam para tocar, mas ninguém me ensinou."

Edith do Prato é reconhecida como um ícone sonoro da Bahia por diversos músicos e artistas baianos, que conhecem de perto seu trabalho, como Bethânia, Gil, Caetano, Roque Ferreira, Mariene de Castro entre outros, além de merecer notas de destaque de diversos críticos da MPB.

Seu jeito de cantar e tocar o prato faz lembrar sambistas fundadores do samba carioca, que também se acompanhavam fazendo destes objetos, verdadeiros instrumentos musicais. Predomina em seu repertório sambas-de-roda de domínio público. Esse gênero de samba era cantado e cultivado pelas tias baianas, no Rio de Janeiro, nos anos 1910, antes, portanto do aparecimento do samba carioca. Edith do Prato configura-se como um elo de preservação da tradição das chulas e dos ritmos do recôncavo, erigindo-se como um patrimônio vivo desse veio musical popular, valendo sublinhar que, em sua terra, Santo Amaro da Purificação, também nasceu um dos principais fundadores da Escola de Samba Império Serrano, do Rio de Janeiro, o sambista e compositor Mano Décio da Viola. Seu disco representa um momento de resgate das tradições musicais populares brasileiras.

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