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Duque

Antonio Lopes de Amorim Diniz
10/1/1884 Salvador, BA
28/9/1953 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Em 1906, estreou na peça "Gaspar Cacete", de Eduardo Garrido, ao lado de outros amadores, tendo sido muito elogiado pela crítica carioca. Posteriormente, abandonou o teatro para dedicar-se à dança, onde se destacou por criar coreografia própria para as danças brasileiras, especialmente o maxixe, que empolgava a sociedade de então.

Em 1909, estando em Paris, abandonou a venda de produtos farmacêuticos quando teve a oportunidade de exibir-se nos salões e teatros dançando o maxixe. Na ocasião, conheceu Maria Lina, estrela da dança popular, que obtivera grande sucesso no Rio de Janeiro no começo do século, com quem passou a fazer par. Dançando o maxixe brasileiro, passaram a apresentar-se em casas noturnas, chegando, segundo o escritor Luís Edmundo, aos "cabarets de nuits mais conhecidos e melhor frequentados da cidade". Em fevereiro de 1913, conquistaram o primeiro prêmio em um concurso de danças que a Elegant Welte organizara no Admirals Palace, de Berlim. Em maio do mesmo ano exibiu-se com nova partnair, a atriz Arlette Dorgère, embora continuasse dançando com Maria Lina. No mesmo ano, inaugurou o "Dancing Palace", no Luna Park, apresentando-se ao lado de sua nova partnair a francesa Gaby, acompanhado pela Orquestra des Hawaiens. Sentindo a falta do balanço brasileiro no acompanhamento musical, enviou telegrama ao maestro Nicolino Milano que se encontrava em Lisboa. Este, passou a atuar à frente da orquestra, que sacodia o público com maxixes brasileiros como o "Vem cá, mulata", de Arquimedes de Oliveira e Bastos Tigre.

Foi o responsável pela transformação do maxixe e de outras danças, consideradas no Brasil de baixa origem, em ritmos elegantes e apreciados nas altas-rodas. Pouco depois, ainda em Paris, abriu uma escola de danças e fez apresentações em Londres, Inglaterra e Nova York. Retornou ao país em 1915, fundando uma academia de danças. No ano seguinte, excursionou pela Argentina, onde recebeu convite para inaugurar o Teatro Florida em Buenos Aires, seguindo para Montevidéu, onde se apresentou por três noites no cassino local. Atuou também no cinema, participando em 1917 do filme seriado "Fuerza y Nobleza" e como protagonista, ao lado de Gaby, no filme "Entre a arte e o amor" , estreado no Cinema Paris em novembro de 1918.

Em 1921 retornou a Paris para participar de um campeonato de danças modernas. No ano seguinte, no Brasil, apresentou-se no Assírio, elegante cabaré carioca acompanhado pelo conjunto Os Oito Batutas. Obtendo financiamento de Arnaldo Guinle, promoveu a ida do conjunto para a França, com o objetivo de divulgar o samba e outros ritmos brasileiros aos franceses. Em Paris, o conjunto por ele rebatizado de Les Batutas, apresentou-se com grande sucesso no dancing Scherazade.

De volta ao Rio de Janeiro, passou a se dedicar ao jornalismo, como cronista teatral. Em 1926, compôs com o maestro sebastião Cirino o maxixe "Cristo nasceu na Bahia", lançado na revista "Tudo preto", de autoria de De Chocolat, apresentada pela Companhia Negra de Revistas, composta de artistas negros e que contou com o maestro Pixinguinha na regência da orquestra. "Cristo nasceu na Bahia", também classificado como samba, fes grande sucesso, como notícia do Jornal do Brasil de agosto daquele ano que noticiando a estréia da revista "Tudo Preto", assim afirmava: "O samba "Cristo nasceu na Bahia", enche a sala de entusiasmo". No mesmo ano, "Cristo nasceu na Bahia" foi gravado por Artur Castro e coro na Odeon, sendo gravada logo em seguida, na mesma gravadora, American Jazz Band Sílvio de Souza. Esta composição foi o grande sucesso no carnaval do ano seguinte.

Ainda em 1927, teve gravadas por Francisco Alves na Odeon o samba "Passarinho do má" e a marcha "Albertina", no primeiro disco produzido eletricamente no Brasil. Também no mesmo ano, teve outra composição gravada por Francisco Alves, o samba "Eu não era assim". Em 1929, a Orquestra Brnswick gravou, com canto de J. Thomaz, o samba "Sarambá", um dos destaques daquele ano. Sobre essa composição permanece uma polêmica, uma vez que a obra "Discografia brasileira em 78 rpm", a coloca como de autoria de J. Thomaz e no livro "A canção no tempo", volume 1, os autores, Jairo Severiano e Zuza Homem de Melo, colocam-no como um parceria entre J. thomaz e Duque.

Em 1932, inaugurou, nos escombros do Teatro São José, a Casa de Caboclo, um teatro exclusivamente dedicado ao folclore, à música popular e às coisas típicas de nosso país. Na inauguração, estiveram presentes como padrinhos, os poetas Ana Amélia de Queirós Carneiro de Mendonça e Olegário Mariano; Pixinguinha dirigiu um pequeno conjunto instrumental, e o duo caipira Jararaca e Ratinho era atração do espetáculo. Com o sucesso, a companhia teatral mudou-se para o Teatro Fênix. A Casa de Caboclo desempenhou papel marcante na vida artística brasileira, tendo lançado grandes artistas, dentre os quais a comediante Dercy Gonçalves, o compositor Herivelto Martins e a cantora Dalva de Oliveira, entre muitos outros. Trouxe de São Paulo para atuar na Casa de Caboclo a dupla caipira Alvarenga e Ranchinho.

Em 1935, sua marcha "São Paulo bandeirante", parceria com Benedito Camargo, foi gravada na Odeon por Augusto Calheiros. Em 1939, assumiu o posto de diretor do Cassino Atlântico, e no ano seguinte extinguiu sua companhia teatral, após uma fracassada excursão à Buenos Aires. Permanecendo no Cassino até 1942, dedicou o resto de sua vida ao teatro. Em 1946, teve o samba choro "Meu barraco", parceria com Dilu Melo, gravado por Carmen Costa na Victor.

Em 1950, candidatou-se a vereador pelo Partido Republicano, não tendo sido eleito. Foi professor do Conservatório Nacional de Teatro, do Serviço Nacional de Teatro.

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