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Dorival Caymmi

Dorival Caymmi
30/4/1914 Salvador, BA
16/8/2008 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

“Minhas canções não chegam a 100”, atesta modestamente o mestre Dorival Caymmi. O que já valeu ao compositor a fama carinhosa e folclórica de preguiçoso deve ser, na verdade, entendido como uma virtude, um traço perfeccionista da sua personalidade musical. Em Caymmi, qualidade, e não quantidade, gerou uma obra extremamente singular, que pode ser considerada um dos pilares da construção da canção brasileira. Através da batida do seu violão — aparentemente primitiva, mas espontaneamente inspirada nas harmonias de compositores clássicos como Ravel, Debussy, Bach e Mussorgski — e do seu canto confidente, o homem praieiro, a herança africana, os personagens folclóricos baianos, as mulheres sestrosas e até um sentimento de carioquismo cruzaram os limites culturais e dionisíacos de um Brasil que fazia a transição entre o rural e o urbano, entre o regional e o universal. Guardadas as diferenças culturais, uma intervenção histórico-musical semelhante à realizada por Luiz Gonzaga com o homem sertanejo do Nordeste. A arte do chefe do clã Caymmi é um caso exemplar de confluência entre o simples e o sofisticado a partir de elementos naturais como o vento, o mar, a morena e a terra. Uma confluência traduzida em sambas, sambas-canções, canções praieiras e toadas tão autorais (ele foi um dos primeiros compositores a gravar suas próprias canções, numa época em que o habitual era o autor entregar a música para um cantor), que o transformaram no melhor intérprete de si mesmo. Mas o conterrâneo Gilberto Gil talvez tenha sido quem melhor definiu a personalidade e a importância na música brasileira ao chamá-lo de “Buda nagô” na canção homônima.



Hagamenon Brito

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