Busca:

Dolores Duran

Adiléa da Silva Rocha
7/6/1930 Rio de Janeiro, RJ
24/10/1959 Rio de Janeiro, RJ

Clips

  • Vi-a, pela primeira vez, no Vogue: Cantava escondidinha, fora de luz, atrás do saxofonista. Quase não se lhe via o rosto. Faz muito tempo.Mais tarde, fizemo-nos amigos. Com Ismael Neto, andávamos constantemente juntos. Estava presente, quando fizemos algumas cançõs, "Canção da volta", por exemplo, de que foi a primeira intérprete. Hoje em dia, lembrava-se de canções, minhas e de Ismael, das quais não me lembro. Só ela se lembrava. Prometia sempre um encontro (ummaestro presente), para escrevermos essas músicas, que Ismael não teve tempo de escrever. Uma delas chama-se "Dez noites". Essas músicas não serão conhecidas nunca mais. Poucas vezes passou pela música popular uma mulher de tanta sensibilidade. Seu coração era um coração repleto de amor. Nunca a vi que não dissesse estar apaixonada. Não dizia por quem . Vi-a, pela última vez na madrugada da última quinta-feira, no Kilt Bar. Fazia contracanto com um disco de canção francesa. Todos a ouviam, em silêncio. Depois, levantou-se, atravessou o bar e foi sentar-se sozinha, a uma mesa escanteada. Atirou-me um amendoim, para que eu a olhasse, e gritou de lá; "Estou tão apaixonada, e quero ficar aqui quietinha. Poss?". Procuro você, agora, para guardar os traços de seu rosto. Você, palidamente, você. O aroma da morte, entre as flores. Realizo no sono do seu rosto toda a humanidade, num sómomento difuso e longínquo. Roda-me a cabeça pelo álcool que bebi à notícia de sua partida. Já não sei onde estão as palavras." Crônica de Antônio Maria publicada no dia seguinte à morte de Dolores Duran.0

Mais visitados
da semana

1 Caetano Veloso
2 Tom Jobim
3 Assis Valente
4 Nelson Cavaquinho
5 Música Sertaneja
6 João Gilberto
7 Hermeto Pascoal
8 Chico Buarque
9 Gilberto Gil
10 Noel Rosa