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Clodo Ferreira

Clodomir Souza Ferreira
30/7/1951 Teresina, PI

Dados Artísticos

Atuou em dupla com a amiga Ana Silva, interpretando um repertório típico da Jovem Guarda. Participou, como contrabaixista, do conjunto local Os Geniais. Foi guitarrista do conjunto Os Continentais, que depois veio a se chamar os Quadradões (embrião do futuro grupo Placa Luminosa), que em seu LP de estréia, gravado em 1968, registrou pela primeira vez uma música de sua autoria, “Ao entardecer”, parceria com o irmão Clésio. Nessa época, passou a se apresentar em dupla com a irmã Cristina, em festas familiares e de amigos.

Em 1969, conheceu o compositor baiano Zeca Bahia, também residente em Brasília, que se tornou um de seus parceiros mais freqüentes nos dez anos que se seguiram.

Em 1971, sua composição “Suzana” (c/ Romildo e Olímpio) foi gravada pelo grupo Matuskelas.

No ano seguinte, participou do Festival de Música do CEUB (Centro de Ensino Unificado de Brasília), obtendo o primeiro lugar, com sua canção “Placa luminosa” (c/ Zeca Bahia), e o segundo lugar, com sua música “Sino, sinal aberto”, ambas interpretadas pelo grupo Matuskelas, contemplado com os prêmios de Melhor Arranjo e Melhor Interpretação.

Em 1974, lançou, com Climério e Malu Moraes, o compacto “Chope no escuro”, contendo suas composições “Ave estrangeira”, “Prosa e verso” e a faixa-título, todas com Climério, além de “Rua São João”. O disco, uma produção do grupo de Teatro Tanahora, dirigido por Geraldo Moraes, contou com a participação especial do violonista Alemão.

Mudou-se para São Paulo em 1976, hospedando-se na casa dos músicos cearenses Rodger Rogério e Teti, representantes do grupo que se tornaria conhecido como Pessoal do Ceará. Nesse período, compôs várias canções em parceria com Rodger, com destaque para “Ponta do lápis”, gravada em duo por Fagner e Ney Matogrosso em um compacto simples lançado no ano seguinte.

Também com Fagner, compôs “Corda de aço”, gravada pelo parceiro no LP “Raimundo Fagner”, de 1976. Ainda neste ano, participou do programa “Mambembe, a vez dos novos” (TV Bandeirantes), ao lado de Climério e Clésio. Nessa oportunidade, os três irmãos apresentaram juntos seus trabalhos individuais, o que deu a entender ao produtor do programa que formavam o trio Clodo, Climério e Clésio. A partir de então, assumiram essa formação.

Em 1977, retornou a Brasília. Nesse mesmo ano, gravou, juntamente com Climério e Clésio, “São Piauí”, o primeiro disco do trio, produzido pelo compositor cearense Ednardo e que contou com a participação de Robertinho de Recife, Heraldo do Monte, Amelinha e Roberto Sion. A capa foi assinada pelo arquiteto e compositor Fausto Nilo. No repertório, as canções “A noite, amanhã o dia” e “Palha de arroz”, ambas de Climério, “Conflito” (Climério e Petrúcio Maia), “Folia ou pressa” (Clésio e Augusto Pontes), “Zero grau” (Climério e Clésio) e a canção-título (Climério e Bê), além de suas composições “Cantiga” e “Nudez”, ambas com Clésio, “Céu da boca” (c/ Climério), “Ilha azul”, “Cada gesto” e “Cebola cortada” (Petrúcio Maia e Clodo). A música “Cebola cortada” foi lançada simultaneamente por Fagner no LP “Orós” e, posteriormente, pelo grupo MPB-4 (LP “Bons tempos, hein?”/1979), pelo cantor baiano Carlos Pita (LP “Coração de Índio”/1981) e pelo parceiro Petrúcio Maia (LP “Melhor que mato verde”/1980). Ainda em 1977, sua canção “Velho demais” (c/ Zeca Bahia) foi incluída na trilha sonora da novela “Sem lenço, sem documento” (Rede Globo), na interpretação do grupo Placa Luminosa.

Sua composição “Revelação” (c/ Clésio) foi lançada por Fagner no LP “Eu canto – Quem viver chorará” (1978). A canção ficou entre as músicas mais tocadas nas emissoras de rádio de todo o país nos dois anos seguintes, foi incluída na trilha sonora da novela “Cara a Cara” (TV Bandeirantes/1979) e teve regravações de outros artistas, como Simone, Mariama, Wando, Razão Brasileira e Engenheiros do Hawaii.

Em 1979, lançou, com Climério e Clésio, o LP “Chapada do Corisco”, contendo suas canções “Rixa” e a faixa-título, ambas com Climério, “Flor do coqueiro (Pita)” e “Revelação”, ambas com Clésio, Oferenda” (c/ Climério e Clésio) e “Modo de ser”, além de “Timom (Climério e Clésio) “Enquanto engoma a calça” (Ednardo e Climério), “Morena” (Naeno) e “Dia claro” (Dominguinhos e Clésio). O disco contou com a participação de Manassés, Abel Ferreira, Dino das 7 Cordas e Fagner, que assinou a direção artística do disco, cuja capa foi criada por Fausto Nilo e Januário Garcia. Nesse mesmo ano, teve canções gravadas por Fafá de Belém (“Carece de explicação”, em parceria com Dominguinhos, no LP “Estrela radiante”), Fagner (“Ave coração”, em parceria com Zeca Bahia, no LP “Beleza”), Cirino (“Tu me querias pedra”, parceria de ambos, no LP “Estrela ferrada”) e Teti (“”Barco de cristal” e “Último raio de sol”, ambas em parceria com Roger e Fausto Nilo, além de “Daniela” e Maracá”, ambas em parceria com Roger, no LP “Equatorial”). Também nesse ano, foi lançado o LP “SORO”, com direção artística de Fagner e coordenação de Ivair Vila Real. O disco, que veio acompanhado de um libreto com textos e fotos impressos de vários autores, trouxe sua participação com o seu poema “Eu matuto, tu matutas”.

Em 1981, lançou, com Climério e Clésio, o LP “Ferreira”, com idealização de Fagner e direção de estúdio de Dominguinhos. Constam do repertório do disco suas parcerias com Clodo e Clésio “Louco luar”, “Cabeça feita”, “Roupa de domingo”, “Luz do dia”, “Geração”, “Passagem do cometa”, “Brilho do sol”, “Não é inútil amar” e “Por um triz”, esta última também registrada por Nara Leão no LP “Romance popular”, que trouxe ainda a única composição de autoria da cantora, “Cli, Clê, Clô”, uma homenagem aos três irmãos. O disco “Ferreira” trouxe ainda sua canção “Ave coração” (Zeca Bahia e Climério), “Estaca Zero” (c/ Ednardo e Climério) e “Remanso” (Vicente Lopes e Clésio). Nesse mesmo ano, sua composição “Meio dia” (c/ Fagner) integrou o LP “Um minuto além”, de Zizi Possi.

Ao longo da década de 1980, teve composições gravadas por vários artistas: “Questão de tempo” e “Telhados”, gravadas por Guadalupe no LP “Sempre foi bom” (1982), “Intuição” e “Tiro certeiro”, gravadas por Fagner nos LPs “Palavras de amor” (1983) e “A mesma pessoa” (1984), respectivamente, “Canção de esquina”, gravada por Amelinha, no LP homônimo (1987), todas em parceria com Climério e Clésio; “Coberto de razão”, gravada por Ângela Maria, no LP “Estrela da canção” (1982), “Nas costas do Brasil”, gravada por Guadalupe em 1982, “Terra batida”, gravada por Cláudia, no LP “Sentimentos” (1986), e “Promessa”, gravada por Fagner no LP homônimo (1986), todas em parceria com Dominguinhos; e “Se tens, eu tenho” (c/ Zeca Bahia), registrada pelo parceiro no LP “Estrada das canções” (1988).

Em 1985, compôs “Aruanã” (c/ Climério e Clésio) para a trilha sonora do filme “A difícil viagem”, de Geraldo Moraes.

Em 1989, lançou, com Climério e Clésio, o LP “Profissão do sonho”, contendo suas composições “Silêncio agrário”, “Olinda”, “Tiro certeiro”, “Canção de esquina”, “Boi divino”, “Distraída”, “Túnel do tempo”, “Dilúvio” e “Aruanã”, todas com Climério e Clésio, além de “Beijo insosso” (c/ Zeca Bahia).

Em 1991, sua música “Querubim” (c/ Dominguinhos), gravada pelo parceiro na década de 1980, foi incluída na compilação “Forró etc. – Music of the Brazilian Nordest”, produzida por David Byrne para o mercado internacional (terceiro volume da série “Brazil Classics”). Nesse mesmo ano, o LP “Clodo, Climério e Clésio” registrou sua parceria com os irmãos nas canções “Revoada”, “Corda bamba”, “Elo perdido”, “Outra cor” (adaptação de adágio de Albinoni), “Balé”, “Brasília”, “Morada” e “Conterrâneos”, esta última composta para o filme “Conterrâneos velhos de guerra”, de Vladimir Carvalho. Completaram o repertório suas músicas “Queira ou não queira” (c/ Dominguinhos) e “Flor do coqueiro/Pita” (c/ Clésio). O disco contou com a participação de Dominguinhos, na faixa “Conterrâneos”, e da flautista Odette Ernest Dias, nas faixas “Outra cor” e “Morada”.

Em 1993, gravou com os irmãos o LP “Afinidade”, contendo suas canções “Quando a palavra nasce”, “Saudades do paraíso”, “Vitalidade”, “Borboleta branca”, “Todas as cores”, “Quintais” e a canção-título, todas com Climério e Clésio, e “Corda de aço” (c/ Raimundo Fagner), além de “Paraíba do Sul” (Climério e Antônio Adolfo) e “Outra vez” (Dominguinhos e Clésio), Após o lançamento do disco, o trio se dissolveu.

Nos anos seguintes, passou a se dedicar prioritariamente às suas atividades de professor da UnB, lotado no departamento de Áudio Visual e Publicidade da Faculdade de Comunicação, e publicitário.

Em 1998, retomou sua carreira individual, com o lançamento do CD “Corda de aço”, que contou com a participação especial de Zelito Passos. À exceção de “Mentira da saudade”, todas as demais faixas do repertório representaram novas versões de suas canções mais conhecidas pelo público, como “Revelação”, “Cebola cortada”, “Ave coração”, “Querubim” e “Ponta do lápis”, entre outras.

Apresentou-se em duas edições do projeto “Temporadas Populares”, organizado pelo Governo do Distrito Federal, dividindo o palco com Tom Zé, em 1999, e com Zé Ramalho da Paraíba, em 2000.

Em 2001, foi lançado o CD “Tiro certeiro”, reunindo faixas dos três últimos LPs do trio que manteve com Climério e Clésio.

No ano seguinte, passou a ministrar o curso “Comunicação e Música” na Faculdade de Comunicação da UnB. Também em 2002, lançou o CD “Gravura”, contendo exclusivamente composições inéditas de sua autoria: “Feitiço mineiro” (c/ Ribah Nascimento), “Pedra lapidada”, “Os iguais”, “Matutei”, “Dimensão”, “Quebra-queixo”, “Rama”, “Engrenagens”, “Senhora pantaneira” e a faixa-título.. O disco contou com a participação especial de Oswaldinho, Manassés e Mauro Sérgio. O encarte foi ilustrado com fotografias das ferramentas utilizadas pelo poeta e gravurista J. Borges. Entre os músicos que atuaram na gravação estão João e Pedro Ferreira, filhos do compositor. Nesse mesmo ano, estreou o filme “Eu não conhecia Tururu”, com roteiro e direção de Florinda Bolkan, cujo tema principal utilizado na trilha sonora foi “Revelação”, tanto a gravação original de Fagner quanto vinhetas instrumentais com trechos da canção. Ainda em 2002, passou a se dedicar ao estudo da obra do sambista carioca Sinhô, cujo repertório apresentou no Clube do Choro, em 2003, e no Conjunto Nacional, em 2004, na ocasião do lançamento do livro “Tem mais samba”, de Tárik de Souza, em Brasília.

Em 2004, sua composição “Oferenda”, gravada por Fagner no disco “Chapada do Corisco”, foi incluída como faixa-bônus do disco “Beleza” na caixa de discos do cantor cearense lançada pela Sony Music. Também nesse ano, deu início à sua pesquisa de doutoramento em História Cultural junto à UnB.

Em 2005, registrou as seguintes composições de Sinhô no CD “Clodo Ferreira interpreta Sinhô”: “Meus ciúmes”, “Sabiá”, “Cansei”, “Reminiscências do passado”, “Gosto que me enrosco”, “Confissões de amor”, “Que vale a nota sem o carinho da mulher?”, “Professor de violão”, “Benzinho”, “A medida do Senhor do Bonfim” e “Maldito costume”.


Nota: Este verbete foi produzido a partir de informações recolhidas por Magno Córdova em sua pesquisa para o mestrado em História Cultural da UnB, generosamente cedidas ao Instituto Cultural Cravo Albin.

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