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Clementina de Jesus

Clementina de Jesus da Silva
7/2/1902 Valença, RJ
19/7/1987 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Apareceu inicialmente para o grande público no ano de 1964, quando, a convite de Hermínio Bello de Carvalho participou do show "O menestrel" (c/ Turíbio Santos). No ano seguinte, integrou o musical "Rosa de Ouro", apresentado no Teatro Jovem do Rio de Janeiro e dirigido por Hermínio Bello de Carvalho e Kleber Santos, que contou também com as participações de Anescarzinho do Salgueiro, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Araci Cortes e Nelson Sargento. Do show foram editados os  LPs "Rosa de Ouro" e "Rosa de Ouro Volume II", em 1965 e 1967, respectivamente e nos quais interpretou lundus, jongos e sambas: "Benguelê" (Pixinguinha e Gastão Vianna), "Boi não berra" (domínio público), "Sementes do samba" (Hélio Cabral), "Nasceste de uma semente" (José Ramos) e "Bate canela". Elton Medeiros compôs em sua homenagem o partido-alto "Clementina, cadê você?". O show seguiu em turnê pela Bahia e em teatros São Paulo. Viajou para Dacar e Senegal, representando o Brasil no "Festival de Arte Negra", acompanhada de Elizeth Cardoso, Elton Medeiros e Paulinho da Viola no ano de 1966. Nesta mesma época, participou de concertos na Aldeia de Arcozelo e em dueto com Helcio Milito, apresentou na Sala Cecília Meirelles, do Rio de Janeiro, a "Missa de São Benedito" de autoria de José Maria Neves. No ano seguinte, em 1967, prestou seu histórico depoimento para o MIS (Museu da Imagem e do Som), no qual foi entrevistada por Hermínio Bello de Carvalho e Ricardo Cravo Albin.  Em 1968, com João da Baiana e Pixinguinha gravou o disco "Gente da antiga", lançado pela Odeon. Neste mesmo ano, ao lado de Nora Ney, Cyro Monteiro e o conjunto Rosa de Ouro, lançou o LP "Mudando de conversa", gravação do show homônimo, realizado no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro, com roteiro e direção de Hermínio Bello de Carvalho, disco no qual interpretou "Sabiá" (Maurício Tapajós e Joaquim Cardoso) e "Mulato bamba", de autoria de Noel Rosa. No ano de 1970 gravou o primeiro disco solo,  "Clementina, cadê você?", lançado pelo MIS (Museu da Imagem e do Som) do Rio de Janeiro. Neste disco interpretou, entre outras, "Sei lá, Mangueira" de autoria de Paulinho da Vila e Hermínio Bello de Carvalho e ainda "Vai de saudade" (Candeia e Davi do Pandeiro). No ano de 1973, após ter se recuperado de uma trombose, lançou pela Odeon o LP "Marinheiro só". Produzido por Caetano Veloso, o disco trouxe do folclore popular a faixa "Marinheiro só", com adaptação de Caetano Veloso. Ainda neste mesmo disco, foram incluídas duas composições de Paulinho da Viola: "Na linha do mar" e "Essa nega pede demais". A própria Clementina fez três adaptações de cantos populares: "Fui pedir às almas santas", "Atraca, atraca" e "Incelença". Neste mesmo ano de 1973, Milton Nascimento a convidou para gravar a faixa "Escravo de Jó" (Milton Nascimento e Fernando Brant) no disco  "Milagre dos peixes". Dois anos depois, foi homenageada outra vez por Milton Nascimento e Fernando Brat na música "Raça", faixa que deu título ao disco de Milton Nascimento lançado nos Estados Unidos. No ano de 1976 lançou o LP "Clementina de Jesus - convida Carlos Cachaça". No ano seguinte, em 1977, participou como convidada de Clara Nunes no LP "As forças da natureza", no qual interpretou em dueto com a anfitriã a faixa "PCJ-Partido da Clementina de Jesus" de autoria de Candeia. No ano de 1982 a Escola de Samba Lins Imperial  apresentou-se com enredo em sua homenagem,  "Clementina - Uma Rainha Negra". Neste mesmo ano, gravou o LP "Canto dos escravos", com Tia Doca e Geraldo Filme, disco no qual interpertaram cânticos dos escravos de Minas Gerais, recolhidos pelo pesquisador Aires da Mata Machado Filho e lançado pela gravadora Eldorado. No ano de 1984 participou do disco "Partido alto nota 10", de Aniceto do Império, no qual interpretaram em dueto a faixa "Dona Maria Luiza", de autoria de Aniceto do Império. Em 1985, gravou pela EMI Music o disco "Clementina e convidados". O LP contou com a participação de Clara Nunes na faixa "Embala eu" (Albaléria), de Cristina Buarque, em "Tantas você fez" (Candeia), de João Bosco em "Boca de sapo" (João Bosco e Aldir Blanc), além de participações de Roberto Ribeiro na música "Cocorocó", de Paulo da Portela e ainda de Martinho da Vila na faixa "Assim não, Zambi" (Martinho da Vila). Outros convidados importantes foram Dona Ivone Lara, Adoniram Barbosa e Carlinhos Vergueiro. Neste mesmo disco, figurou também como compositora ao lado de Catoni na faixa "Laçador" e ainda fez diversas adaptações de jongos, corimás, batucadas e partidos-altos para as faixas "Lapa", "Carreiro bebe", "Pica-pau", "Atraca, atraca" e "Fui pedir às almas santas", entre outras. Apresentou-se com Nelson Cavaquinho em vários show, em turnê por Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Seu último show foi no mês de maio no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, no ano de 1987, vindo a falecer em julho deste mesmo ano. No ano 2000, às vésperas da comemoração de aniversário de 100 anos de nascimento, foi produzida por Hermínio Bello de Carvalho e João Carlos Carino uma caixa com nove CDs reunindo quase toda a obra gravada em LPs na Odeon, com exceção do disco produzido no MIS (Museu da Imagem e do Som). A caixa, patrocinada pela Petrobras, ainda contou com um livreto com textos de Lena Frias, Luiz Antônio Viana e Hermínio Bello de Carvalho, além de pesquisa feita por Paulo César de Andrade. No ano 2002 foi lançado o livro "Velhas Histórias, memórias futuras" (Editora Uerj) de Eduardo Granja Coutinho, no qual o autor faz  várias referências à cantora. Em 2012 o texto "Clementina, cadê você?", de Pedro Murad, ganhou o "Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2012". Em 2013 a cantora foi homenageada com o musical "Clementina, cadê você?", em temporada na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, bairro da Zona Sul Carioca. O espetáculo, com texto de Pedro Murad e direção Duda Maia, foi estrelado por Ana Carbatti, no papel de Clementina e ainda contou com os músicos-atores Bruno Barreto, Bruno Quixotte, Sergio Kauffmann, Vidal Assis e Wendell Bendelack, além da direção musical Pedro Miranda.

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