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Cláudia Barroso

Amélia Rocha Barroso
23/4/1932 Ipirapitinga, MG
9/10/2015 Fortaleza, CE

Dados Artísticos

Dona de grande poder de comunicação e de voz privilegiada, voltada para o estilo romântico. Em 1957, após a vitoriosa participação no programa de calouros de Renato Murce, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi convidada pela cantora Marisa Gata Mansa para fazer um teste na boate do Copacabana Palace, pois lá estavam precisando de uma "crooner". Tendo passado no teste, ali surgiu seu primeiro trabalho como cantora profissional. Em 1958, gravou pela primeira vez ao participar do LP "Meia noite no meia noite", da gravadora Todamérica que contou com as participações de Moacyr Silva e seu conjunto e de Cópia e seu conjunto. Nesse disco gravou a faixa "Não adiante chorar", de Eduardo Patané e Almeida Rego, acompanhada da Orquestra do Copacabana Palace, regida pelo maestro Cópia, o Copinha. Posteriormente, foi contratada para ir cantar em São Paulo, na boate "Capitains Bar", do Hotel Comodoro. Ali cantou com diversos músicos, como Valter Vanderley, Paulinho Nogueira e Pedrinho Mattar. Por seu talento e versatilidade, tornou-se crooner muito disputada pelos donos de casas noturnas de São Paulo, pois cantava também em vários idiomas. Recebeu da gravadora Odeon convite para gravar a música "Fica comigo essa noite", de Adelino Moreira. Foi o seu primeiro disco solo, ainda em 78 rpm que trazia no outro lado "Não, eu não vou ter saudade", de Vaucaire e C. Dumont, com versão de Romeu Nunes, disco lançado em fevereiro de 1962. No mesmo ano, sua interpretação de "Fica comigo essa noite" foi incluída no LP "Em dia com o sucesso - Volume 2" lançado pela gravadora Odeon. Foram inúmeras as casas noturnas em que cantou, e também os diversos nomes do cenário musical brasileiro com que se apresentou, durante os anos 1960, entre eles: o Bar Baiúca, onde cantava com o Zimbo Trio; a Boate Golden Ball, em que cantava com Johnny Alf; a Boate Oásis; a Boate Champanhota, em que cantava com Marta Mendonça; a Boate Moleque, onde cantava com Noite Ilustrada; a Boate Rosa Amarela; Boate Jogral; Boate Drink, de Djalma Ferreira, onde cantava com Jair Rodrigues, entre outras. Em 1967, lançou um LP pela gravadora Fermata no qual interpretou as músicas "Esta é a minha canção (The is my song)", de Charles Chaplin, "Falem-me dele (Parlez-moi de lui)", de M. Rivgauche e J. Dieval, e "Nenhum de vocês (Nessuno di voi)", de Pallavicini e Kramer, com versões de Alexandre Cirus, "Eu por amor (Io per amore)", de P. Donaggio e V. Pallavicini, "É mais forte que eu (É piu forte di me)", de E. Polito e A. del Monaco, e "O silêncio (Il silenzio)", de G. Brezza e N. Rosso, as três em versões de Fred Jorge, "Deus como te amo (Dio come ti amo)", de Domenico Modugno, versão de Demetrio Carta, "Amor não é brinquedo (Eine ganze nacht)", de J. Last e G. Loose, e "Glória (In excelsis Deo)", de S. Vasco, T. Del Rincon e T. Rendall, em versões de Juvenal Fernandes,"A música termina (La música é finita)", de U. Bindi e F. Califano, e "Valsa da recordação (Vals del recuerdo)", de Kalender e B. Molar, versões de Salathiel Coelho, e "Começar de novo", de Nóbrega e Souza, David Mourão e Ferreira. Nesse ano, gravou a marcha "Flores na varanda", de Osvaldo Cruz e Celina Paiva, incluída na coletânea carnavalesca "Carnaval 68" do selo Som Maior, algo raro em sua carreira de cantora romântica. Em 1968, duas versões interpretadas por ela foram incluídas no LP "Coleção de sucessos" da gravadora Fermata: "Deus como te amo" e "O silêncio". Em 1969, participou de outras duas coletâneas carnavalescas da gravadora Premier/RGE visando o carnaval do ano seguinte: "Carnaval 70", no qual foi incluída a gravação da música "Um amor igual ao meu", de Fernando Torelly e João Lopes, e "Carnaval 1970" com a marcha "Senhora viúva", de Cachimbinho e A. Cruz. Em 1970, recebeu um convite para participar como jurada no programa Silvio Santos, na TV S, posteriormente SBT. Sua atuação obteve tanto sucesso, que ela foi contratada pelo animador, passando a ser presença obrigatória no programa, o qual era levado ao ar, ao vivo, aos domingos. Um dia, ao dirigir-se a uma caloura, criticou a interpretação da música, atribuindo-lhe uma nota que causou polêmica no programa. Desafiada, então, pelo animador Silvio Santos a interpretar aquela música de forma melhor que a candidata, foi ao palco e cantou magistralmente, arrancando intermináveis aplausos do público e, principalmente, dos demais membros do juri. Logo em seguida, a gravadora Continental a contratou, iniciando uma fase de grande sucesso da cantora. Em 1971, lançou seu primeiro LP pela gravadora Continental interpretando as músicas "A vida é mesmo assim" e "Quem mandou você errar", de sua autoria, "Pra que chorar", de Jorge Ricardo, "Amiga", de Anastácia, "Dona tristeza", de Jacobina e Almeida Rego, "Juntinho é melhor", de Fernando Barreto, Fernando Costa e Rossini Pinto, "Você mudou demais", de Dik Júnior, "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins, "Supertição", de Portinho e Wilson Falcão, "Rotina do amor", de Jota Domingos, "Resposta da carta", de Anastácia e Dominguinhos, e "Quem foi você", de Waldick Soriano. Ainda em 1971, o selo Premier lançou o LP "O amor me chama", uma coletânea de músicas lançadas anteriormente em compactos com destaque para "Dio come ti amo". Ainda nesse ano, duas interpretações suas foram incluídas em coletâneas de sucessos. No LP "As 14 mais pra frente - Vol. 12" da Continental foi incluída a gravação de "Você mudou demais", e no LP "Grande parada Brasil" também da Continental foi incluída a gravação do bolero "A vida é mesmo assim". Em 1972, lançou dois LPs. No primeiro LP destacou-se como sucesso a composição "Por Deus eu juro", de sua autoria, trazendo ainda as músicas "Amor querido", e "Estou cansada", de sua autoria, "Não adianta mais chorar" e "Não sei o que fazer", de Jorge Ricardo, "Está faltando alguém em minha vida", de Pepe Ávila, "Eu te agradeço", de Alcyr Clayton e Paulo Marcos, "Você perdeu a sua vez", de César e Círus, "Se Deus me ouvisse", de Almir Rogério, e "Presunção", de Anastácia. No segundo LP lançado no mesmo ano, registrou as músicas "Não quero ouvir mais falar teu nome" e "Vai não te quero mais", de sua autoria, "Aviso" e "Confissão", de Jorge Ricardo, "Tentei a qualquer preço", de Osmar Nazareno e Portinho, "Mentira", de F. Pracánico, E. C. Flores e Pepe Ávila, "Amado amante", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, "Humilhação", de José Carlos Gonzales, "Como fui boba meu Deus", de Antônio Queiroz e Michel Bunariu, "Nem te ligo", de Jota Domingos, "Meu coração fechou a porta", de Anastácia, e "Ausência de tua presença", de Moacir Bastos. Ainda em 1972, sua versatilidade a levou a uma experiência como atriz, através de uma participação na novela "Bandeira Dois", levada ao ar pela TV Globo. Foi coroada, então, "Rainha dos motoristas". Nesse período, mais precisamente, na primeira metade dos anos 1970, foi consagrada em todo o Brasil, sendo a cantora com maior vendagem de disco. Em função disso, nos dois anos seguintes voltou a lançar dois LPs anuais. Em 1973, gravou no primeiro LP as músicas "Eu quero ser feliz" e "Vai chorar muito mais", de sua autoria, "Foi tanto amor que eu perdi a razão", parceria sua com Zairo Marinozo, "Ah se eu fosse você", de Carlos Bonani, "Ontem e Hoje", de Getúlio Macedo e Irany de Oliveira, "Meu caminho", de Gecy Falcão, "Vou ficar sozinha", de Alcyr Clayton e Paulo Marcos, "Eu vim dizer", de Carlos César e Alexandre Cirus, "Nem pelo amor de Deus", de César e Queiroz, "Minha verdade", de Osmar Navarro e Portinho, "No vai-vem do mundo", de César e Círus, e "Nem que o mundo se acabe", de Anastácia e Dominguinhos. Em seu segundo LP de 1973, registrou as músicas "Que pena você veio tarde", parceria com Carlos Bonani, e "Cinzas", parceria com Gecy Falcão, "Acreditei demais", "Não preciso de você" e "Eu só quero ver", todas de Carlos Bonani, as clássicas "Mulher", de Custódio Mesquita e Sady Cabral, "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro, "Fim de caso", de Dolores Duran, e "Juazeiro", de Humberto Teixeira e Luis Gonzaga, "Não há nada mais bonito", de Portinho e Osmar Navarro, "Que mundo é este meu", de Waldick Soriano, e "Muito obrigado meu amor", de Antônio dos Santos. Ainda no mesmo ano, mais duas coletâneas de sucesso incluíram canção com gravações suas: no LP "Continental - 30 anos de sucessos" da gravadora Continental foi incluída a canção "Você mudou demais". Já no LP "Sempre sucesso - 12 Grandes sucessos que serão lembrados eternamente", da Premier/RGE foi incluída sua gravação para "O silêncio". Em 1974, mais dois LPs foram lançados pela Continental com gravações suas. No primeiro cantou "Eu falei pra você", de Carlos Bonani, "Mal me quer", de Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira, "Essa agora é boa" e "Por mais que eu queira me enganar ainda te amo", de sua autoria, "Última palavra", de Nelson Karan e Aloísio Marins, "Aliança devolvida", de Milton José e José Augusto, "Você já era", dde Portinho e Osmar Navarro, "Ironia", de Gecy Falcão, "Não me condenem", de Julio Nagib, e "Deus me livre", de Anastácia, além de um pot-pourri com as canções "Segredo", de Herivelto Martins e Marino Pinto, "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Feitio de oração", de Vadico e Noel Rosa, "Folhas mortas", de Ary Barroso, e "Nem eu", de Dorival Caymmi. Já o segundo LP lançado nesse mesmo ano registrou as músicas "Deixe meu marido em paz (Não perca seu tempo)", "Como acabou não sei", "Triste adeus", e "Oh moço da minha rua", de sua autoria, "Quem você pensa que é", de Elizabeth, "Porque te amo", de Luis de Castro e Milton José, "Me faça sua", de Martinha e Milton Carlos, "Amor fracassado", de Juvenal Lopes, "Nem a morte vai nos separar", de Osmar Navarro e Portinho, "Vá em paz", de Juna, "Luz e treva", de Nelson Sampaio, e "Amor proibido", de Anastácia e Dominguinhos. Nesse LP, fez bastante sucesso com o bolero "Deixe meu marido em paz". Em 1975, gravou LP que trazia três composições de Carlos Bonani: "Casamento fracassado", "Conselho", e "Duas almas", além de "Que te custa", de Anastácia, "Nada sou", de Antoninho dos Santos, "Não tem solução", de Joãozito, "Nossos filhos não pediram para nascer", de sua autoria, "Ninguém pertence a ninguém", de Portinho e Osmar Navarro, "O homem que eu amo", de Chico Xavier, "Você vai se arrepender", de Milton José, Italúcia e Sabino Neto, "Já tenho alguém em seu lugar" e "Eu não tive um bom marido", as duas de Evaldo Barreto. Em 1976, lançou novo LP no qual fizeram sucesso duas composições de Anastácia: "Mulher sem nome" e "Pedaço de papel". O disco incluiu ainda as composições "O vento levou", de Umberto Silva e Motta, "Nem que venha pedir de joelhos", de Milton José e José Augusto, "Para que recordar", de Fernando César, "Conselho de mãe", com M. A. Porto, "Valeu a pena o que eu sofri", com Izilda Simões, "Cansada de mentira", de Robson e Zebéto, "Fracassamos", de Herivelto Martins, "Pecado mortal", de Carlos Bonani, "Vou morrer de rir", de Anastácia, e "Fique com ele pra você", de Zeca e Tom. Em 1977, gravou o LP "Cara e coragem" com música título da compositora Isolda, e que apresentou ainda como destaque as músicas "Mantendo aparências", de sua autoria, "Ninguém é de ninguém", de Umberto Silva, Toso Gomes e Luis Mergulhão, "Boa amiga (Conselho)", de Anastácia, "Meu dilema", de Dominguinhos e Anastácia, "Bobagem", de Isolda e Milton Carlos, e "Minha culpa", de Leal Brito "Britinho" e Fernando César. Também fizeram parte do disco as composições "Envolvido em tempestade", de Marcos Wagner, "Com quem fica nosso filho", de Wilson Falcão e Portinho, "Homem por homem", de Evaldo Barreto, "Essas moças", de Marcos Wagner, e "Mentiroso", de Valentino Guzzo e Laerte Freire. Em 1978, gravou o LP "Conselho" que teve como destaque duas composições de sua autoria: "Deixe meu marido em paz" e "Nossos filhos não pediram pra nascer". As outras músicas do disco foram: "Mentiroso", de Valentino Guzzo e Laerte Freire, "Quem você pensa que é", de Elizabeth, "Amor proibido", de Anastácia e Dominguinhos, "Casamento fracassado", de Carlos Bonani, "O homem que eu amo", de Chico Xavier, "O vento levou", de Humberto Silva e Motta, "Conselho", de Carlos Bonani, "Pedaço de papel", de Anastácia, "Amor fracassado", de Juvenal Lopes, e "Nem a morte nos separa", de Osmar Navarro e Portinho. Em 1979, lançou LP com duas composições de sua autoria: "Status", com S. A. Hanna, e "Porta arrombada", com Glalco, além de cinco versões de músicas latinas: "Abraça-me", de Julio Iglesias e Ferro, em versão de C. Santos, "Espinho (Espinita)", de Nico Jimenez e Walter José, "A carta", de J. Nobre e A. do Valle, com versão de Mourão Filho, "Canção da alma (Cancion del alma)", de R. Hernandez, e versão de Jean Pierre, e "Maldito amor (Ilusion passajera)", de M. A. Solis, e versão de Cleide Dalto. O disco ainda apresentou as canções "Comentários", de Rivelindo, Jean Pierre e Leon, "Graças a Deus", de Anastácia, e "Eu não sou robot", de José Lisboa. Em 1980, lançou seu último disco pela gravadora Continental no qual interpretou as canções "A fase", de Elizabeth e Sergio Bittencourt, "A outra", de Geraldo Cunha, "O silêncio (Il silenzio)", de G. Brezza e N. Rosso, em versão de Fred Jorge, "Eu te perdi", de Umberto Silva, Motta Vieira e Ozires de Mello, "É de pedra seu coração", de Antoninho Santos, "Amor na tarde" e "Tire seu galo da rinha", de Anastácia, "Minha sombra é você", de Mário Zan e Messias Garcia, "Haja o que houver", de Fernando César e Nazareno de Brito, e "Tudo ou nada", de Fernando César, além de duas versões suas para músicas de Armando Manzanero: "Pra você para mim" para "Para ti y para mi)", e "Foi uma vez", para a canção "Fue uma vez". Em 1981, a Continental lançou a coletânea "Disco de Ouro - Cláudia Barroso" reunindo 14 sucessos gravados por ela: "A vida é mesmo assim", "Por Deus eu juro", "Vai não te quero mais", "Deixa meu marido em paz (Não perca seu tempo)", "Mantendo aparências", "Nossos filhos não pediram pra nascer", "Noturno", "Quem mandou você errar", "Amor querido", "Vai chorar muito mais", "Como acabou não sei", "Estou cansada", "Não quero mais ouvir falar teu nome", e "Aliança devolvida". No começo da década de 1980, passou alguns anos sem gravar. Retornou aos estúdios em 1986, quando lançou LP pela gravadora 3M interpretando as músicas "O gavião", de Carlos Santorelli, "Deixa que eu te ame", de Hyran Garcete e Pepe Ávila, "A minha prece de amor", de Silvio César, "Tira a aliança do dedo", de Meirecler, "Ausência", de Sebastião Silva e Ivan Pires, "Jogo sujo", de Carlos Colla, "Nós dois", de Ed Wilson e Carlos Colla, "Salva-me querido", de José Raul Valença e Manoel Valença, "Batendo boca", de sua autoria, e "Meu ídolo", de Voltaire e Neuber. Até mo final dos anos 1980, período de seu maior sucesso teve gravações incluídas em mais de 20 coletâneas. A partir da década de 1990, sua carreira perdeu prestígio e ela passou a aparecer menos. Em 1995, a Warner lançou o disco "Dose dupla", contendo alguns de seus sucessos como "A vida é assim mesmo" e "Quem mandou você errar", de sua autoria, "Pra que chorar", de José Ricardo, "Rotina do amor", de Jota Domingos e "Resposta da carta", de Anastácia e Dominguinhos. Em 2000, gravou um CD ao vivo, pela gravadora CID. O disco visitou vários clássicos da MPB, como: "Lama", de Ailce Chaves e Paulo Marques; "Quem eu quero não me quer", de Raul Sampaio, e "Tortura de amor", de Waldick Soriano, além de outros como "Fracasso"; "Poema"; "Quase" e "Devolvi". Em 2007, apresentou-se na Praça Independência na cidade de Corumbá durante os festejos pelo 229º aniversário de fundação da cidade. Em 2008, em plena atividade, com a voz impecável, continuou apresentando shows por todo o Brasil, sempre encontrando o prestígio do público. Por seu talento, a cantora mereceu do Maestro Portinho a seguinte crítica: "Um dia, na década de 1960, eu estava em São Paulo com o Mário Duarte, na época, diretor artístico da Rádio Nacional de São Paulo e da Fermata-RGE, e este me convidou para tomarmos um aperitivo numa boate na Alameda Nothumann. Quando chegamos, fomos atendidos, e logo, a moça que estava com o conjunto passou a cantar. Acho que foi uma das coisas mais lindas que presenciei durante a minha carreira musical. Eu fiquei encantado com a Cláudia Barroso. Não só eu, também o Mário. A partir do momento em que ela começou a cantar, não vimos mais nada... Naquela época a Cláudia não cantava apenas boleros e, naquela noite, ela procurou mostrar toda sua versatilidade, cantando também em inglês, italiano, espanhol e francês. Quando terminou o show, Cláudia chegou até nossa mesa e o Mário me disse: "Esta é a talentosa Cláudia Barroso. Eu quero a seu lado, Maestro, convidá-la para amanhã, ou dentro do mais breve possível, comparecer aos escritórios da Fermata-RGE e assinar um contrato conosco. Emocionadíssima, ela aceitou e já no dia seguinte, estava assinando um contrato. Logo em seguida, tratamos de selecionar seu repertório. O que eu posso dizer de Cláudia Barroso? Só posso elogiá-la. Como já disse antes, é uma cantora muito versátil, desembaraçada. Sabe o que quer e exige, e com muita razão. Porque é uma das maiores cantoras, não só do Brasil, é uma das maiores cantoras contemporâneas. Tem uma voz privilegiada, bonita, eu diria que ela não é soprano nem contralto, é um mesclado das duas coisas. Tem um grave cheio, sabe dizer as palavras, tem uma dicção perfeita e canta, com facilidade, qualquer gênero popular. Não há dificuldade em nada para Cláudia Barroso. Outra coisa que me agrada em Cláudia Barroso é a sua amizade e compreensão com os músicos quando está no estúdio de gravação. Quando está elaborando o trabalho de base, ela procura fazer o melhor ambiente possível. Procura, então, conversar com os músicos, nos intervalos, conta algumas novidades. Ela gosta de trabalhar em equipe. Em sua opinião, os músicos, maestros, técnicos, produtores e divulgadores formam um todo, e que só esse todo pode proporcionar o futuro sucesso. Ela crê e diz francamente: "Eu amo todos vocês, porque são um todo. Meu disco é um todo. Obrigada. Há muitos anos eu acompanho a carreira de Cláudia Barroso, e noto que, a cada disco, ela procura aprimorar a sua interpretação, que já era magistral."

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