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Clara Nunes

Clara Francisca Gonçalves
12/8/1942 Caetanópolis, MG
2/4/1983 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Com um dos fraseados mais límpidos e luminosos da música brasileira, Clara Nunes saiu de cena, em abril de 1983, como uma das vozes do samba. Posição que jamais teria alcançado se tivesse persistido no caminho equivocado de seu primeiro elepê, “A voz adorável de Clara Nunes, lançado em 1966 com um punhado de boleros. Foi somente ao abraçar o samba — primeiro sob a batuta do radialista Adelzon Alves e, depois, com a orientação do compositor Paulo César Pinheiro —, que a “mineira guerreira” encontrou o sucesso e o carinho popular. Esta trajetória pelo mundo do samba foi percorrida por Clara com mais firmeza a partir de 1971, mas o divisor de águas na sua carreira foi o disco “Alvorecer”, de 1974. A reboque do sucesso de “Conto de areia”, um samba melodioso de sotaque mais baiano do que carioca, o elepê vendeu 300 mil cópias e, mais do que isso, quebrou o tabu — então vigente na indústria fonográfica — de que mulher não vendia disco. Em 1975, o LP “Claridade” repetiria o êxito, com os hits “O mar serenou” e “A deusa dos orixás”. Clara chegaria aos 400 mil discos vendidos — cifra que, em números de hoje, equivaleria a quase dois milhões de cópias.

Muito deste inicial sucesso popular de Clara se deveu à sua incursão pelo mundo do candomblé. Ao cantar músicas que evocavam os orixás, a cantora inovou e conquistou o povo das classes menos favorecidas. Mas a intérprete foi sábia ao não persistir neste caminho. A partir de 1976, quando seus discos passaram a ser produzidos por Paulo César Pinheiro, a cantora encontrou, enfim, a maturidade no canto e na seleção do repertório. Clara nunca abandonaria por completo os sambas de temática afro, mas deixou de fazer deles a base de seu sucesso. Apesar de relativa queda nas vendagens, seus discos não deixaram de ser consumidos pelo grande público. Dentro de uma discografia das mais dignas da MPB, vale destacar títulos como “As forças da natureza” (1977), que juntou na ficha técnica nomes como Clementina de Jesus e a Velha-Guarda da Portela, e “Brasil mestiço”, disco de 1980 que expandiu o universo musical da cantora, que, sem deixar de cantar samba, passeava também pelos mais diversos ritmos brasileiros.

O último disco de Clara, “Nação”, saiu em fins de 1982. Era mais um retrato bem-acabado do canto maduro de uma estrela, que ainda ilumina com sua voz os corações dos amantes do samba.



Mauro Ferreira

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