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César Camargo Mariano

Antônio César Camargo Mariano
19/9/1943 São Paulo, SP

Dados Artísticos

Aos 17 anos, apesar de não saber ler música, foi chamado por William Furneaux para compor sua orquestra, tornando-se músico profissional. Ainda estudava e trabalhava em um banco quando formou um quarteto para tocar em clubes e festas de São Paulo. Foi convidado pelo maestro Enrico Simonetti para formar um grupo maior, constituindo o que se tornou o mais importante conjunto de baile do Brasil: Três Américas. Com este grupo, trabalhou durante três anos, adquirindo experiência em arranjo e em acompanhar cantores da música popular nacional e internacional.

Na década de 1960, integrou diversos conjuntos que se  tornaram famosos. Participou da gravação de um LP de Alaíde Costa (RGE), como pianista e arranjador, com o grupo que se tornou mais tarde o Som Três. Montou o sexteto Dixie, formado por músicos amadores e que mais tarde veio a se tornar o São Paulo Dixieland Band. Durante este período, também foi chamado para tocar na casa noturna A Baiúca, importante casa de jazz e música brasileira de São Paulo, onde integrou o Quarteto Sabá. Em 1962, foi convidado pela gravadora Mocambo/RGE para produzir e arranjar o álbum "Claudette é dona da bossa", de Claudette Soares. Em seguida, pela mesma gravadora, lançou seu primeiro álbum com o Quarteto Sabá, formado com Sabá Oliveira (baixo), Hamilton Pitorre (bateria) e Teo de Barros (guitarra). Firmou-se nessa época como importante arranjador e pianista da bossa nova. Ainda em 1962, formou com Airto Moreira e Humberto Clayber o Sambalanço Trio, grupo com o qual inaugurou o João Sebastião Bar, o novo "templo da bossa nova" de São Paulo, nessa época. Com esse grupo, montou, ao lado do coreógrafo, dançarino e cantor americano Lennie Dale, e do diretor e escritor de teatro Solano Ribeiro, o primeiro espetáculo-show para teatro brasileiro. Ficaram oito meses em cartaz em São Paulo, no Teatro Arena, mais oito meses no Rio de Janeiro, na boate Zum-Zum, consagrados pela crítica e pelo público. Gravou o álbum "Lennie Dale & Sambalanço Trio no Zum-Zum", recebendo o prêmio do "Jornal do Brasil" de Melhor Álbum e Melhor Show. O trio teve uma grande projeção nacional, tendo lançado também os álbuns “Sambalanço Trio vol.1” (1964), “Sambalanço Trio vol.2” (1965), “À vontade mesmo - Raulzinho e o Sambalanço Trio” (1965), este com o trombonista Raul de Souza, e “Reencontro com Sambalanço Trio” (1965). Em 1967, apesar de não ter estudado orquestração, pesquisou e escreveu 12 arranjos com grande orquestra para o álbum de Marisa Gata Mansa, com quem foi casado e teve o filho Marcelo Mariano, hoje contrabaixista profissional. Em seguida, gravou o álbum instrumental "Octeto César Camargo Mariano", tendo na base o Sambalanço Trio. Este octeto foi considerado um marco na fusão "jazz-bossa" no Brasil. Nesse mesmo ano, participou como pianista dos LPs "Os Três Morais", "Os Farroupilhas" e "O Quarteto". Em 1968, passou a ser o produtor, arranjador e diretor musical dos shows de Wilson Simonal, acompanhando-o em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra. Formou, também, o Som Três, grupo base do trabalho de Simonal, e assinou um contrato de músico e arranjador com a TV Record, participando como jurado nos festivais realizados por esta emissora. Com o Som Três, lançou os álbuns “Som Três vol. I” (1966), “Som Três Show” (1968), “Som Três vol. II” (1968), “Som Três vol. III - Um é pouco, dois é bom, este Som Três é demais” (1970) e “Som Três vol. IV - Tobogã” (1970). Em 1969, participou do "Festival das Artes Negras", no Senegal, África, com a cantora Elizeth Cardoso e o Som Três.

Com a década de 1970, iniciou-se uma nova fase em sua carreira. Em 1971, foi chamado por Elis Regina para dirigir, produzir e escrever os arranjos para seu novo show e álbum, "Elis". Para este trabalho, montou um novo quarteto, formado com Luizão Maia (baixo), Hélio Delmiro (guitarra) e Paulinho Braga (bateria). Produziu, arranjou e dirigiu espetáculos de Elis, com grande sucesso no Brasil e no exterior. "Falso Brilhante" ficou um ano e meio em cartaz no Teatro Bandeirantes de São Paulo, "Transversal do Tempo" ficou dois anos em turnê pelo Brasil, "Saudade do Brasil" teve seis meses de temporada no Canecão. Entre os concertos internacionais destacam-se as participações no "Montreux Jazz Festival" e no "Switzerland Jazz Festival". Gravou com Elis mais de 14 álbuns, entre os quais “Elis” (1972), “Elis” (1973), “Elis” (1974), “Elis e Tom” (1974), este com Tom Jobim, “Falso brilhante” (1976), “Janelas” (1976), “Elis” (1977), “Transversal do tempo” (1978), “Essa mulher” (1979), “Elis” (1980) e “Saudades do Brasil” (1980). Em 1978, produziu e dirigiu seu primeiro espetáculo de música instrumental, "São Paulo Brasil",  em cartaz por dois meses no Teatro Bandeirantes de São Paulo. Nesse mesmo ano, especializou-se em música para publicidade, cinema e teatro. Recebeu oito prêmios Clio (que equivale ao "Oscar" da publicidade) e ganhou vários prêmios da Associação Brasileira de Críticos de Arte (Abca) como músico, compositor, arranjador e produtor na área de discos e shows.

Em 1981, gravou, ao lado de Hélio Delmiro, o consagrado disco "Samambaia". Ainda na década de 1980, realizou concertos solo pelo Brasil e outros países da América do Sul, com a intenção de desenvolver sua técnica pianística, ao mesmo tempo em que continuou seu trabalho como arranjador e produtor para cantores da MPB, como Gal Costa, Maria Bethânia, Simone e Rita Lee, entre outros. Compôs, ainda, a trilha sonora para a minissérie "Avenida Paulista" (Rede Globo). Em 1983, gravou, em Los Angeles, o álbum "Todas as amizades", tendo como convidados Abe Laboriel, Alex Acuna, Mitch Holder, Paulinho da Costa, Jerry Hey, Bill Rickenbach, Ernie Watts, Nana Caymmi e Rita Lee, entre outros. De volta ao Brasil, produziu um antigo projeto de somar piano e voz: o álbum "Voz e suor", ao lado de Nana Caymmi. Ainda nos anos 1980, iniciou suas experiências com teclados eletrônicos. Gravou junto com Wagner Tiso o álbum "Todas as teclas" e, ao lado de Nelson Ayres, Crispin Del Cistia, Azael Rodrigues e João Parahyba, criou o espetáculo de música instrumental "Prisma". Originalmente criado para permanecer duas semanas em cartaz, este espetáculo permaneceu dois meses no Teatro Bandeirantes, em São Paulo. Em setembro de 1985, foi contratado pela TV Globo para dirigir o "Festival dos Festivais". No mesmo ano, gravou mais um álbum solo, "Mitos", a partir do qual criou a trilha da novela "Mandala", da TV Globo. Em 1989, gravou o álbum "César Camargo Mariano" e fez a trilha e arranjos para o musical "A Estrela Dalva", sobre a vida de Dalva de Oliveira. Em seguida, apresentou-se novamente no "Montreux Jazz Festival", desta vez ao lado de João Bosco, e fez uma turnê de 10 concertos na Espanha, em trio formado também por Hélio Delmiro e Paulo Moura.

Durante os concertos na Espanha, num encontro com Leny Andrade, surgiu a idéia de um novo dueto piano e voz: o disco "Nós", gravado em 1993. Neste mesmo ano, produziu e arranjou o álbum "Coisas do Brasil", de Leila Pinheiro, cantora lançada pelo "Festival dos Festivais". Em abril de 1994, mudou-se para os Estados Unidos. Nesse ano, foi convidado por Sadao Watanabe para produzir e fazer os arranjos de seu álbum "In Tempo", gravado em Nova York. Com Watanabe viajou ao Japão para apresentações. Em 1995, fez a trilha de um filme para a televisão japonesa e voltou ao Brasil para co-produzir e fazer os arranjos do álbum "Perdidos de amor", de Emílio Santiago. No ano de 1996, em Nova York, realizou um concerto no Ball Room, ao lado de John Patittucci. Em seguida, formou novo grupo com os músicos Romero Lubambo (violão), Leo Traversa (baixo) e Mark Walker (bateria), com o qual voltou a se apresentar no "Montreux Jazz Festival", num tributo a Elis Regina. Em 1997, participou com seu quarteto do "Heineken Festival", em São Paulo e Porto Alegre, com o saxofonista americano Michael Brecker e a cantora Dianne Reeves. Ainda no mesmo ano, no México, produziu para a PolyGram Latina o álbum "Piano, voz y sentimento", com a participação de 12 cantores latino-americanos. Em outubro de 1997, dirigiu e fez os arranjos do concerto "All Jobim", apresentado no Carnegie Hall, Nova York, convidado pelo maestro Ettore Stratta.  Participaram deste evento Ivan Lins, Leila Pinheiro, Dori Caymmi, Joe Lovano, Sharon Isbin, Eugene Maslov e Al Jarreau. O convite foi feito novamente em maio de 1999, desta vez com a participação de João Bosco, James Ingram, Simone, Michael Brecker, New York Voices, Paula Robinson e o duo formado pelo pianista com Romero Lubambo.

Nas décadas de 1980 e 1990, participou, dirigiu e comandou diversos programas de TV, como "César e convidados", "Jazz Brasil - César’s Special", "Ensaio" e "A todas as amizades", na TV Cultura, "Um toque de classe", na TV Manchete, e "Wrap around the world", na TV Globo, entre outros.

Para o cinema, compôs a trilha dos filmes "Eu te amo" (1980), de Arnaldo Jabor,  "Além da paixão" (1982 - 1984), de Bruno Barreto, e "Paixão cigana" (1990), de Flávia Moraes. Fez ainda a trilha de dois filmes institucionais sobre o Brasil para a CNN Internacional. Recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, entre eles o de melhor arranjador no 2º e 5º  Prêmio Sharp de Música.

Em 2000, a imprensa norte-americana referiu-se à cantora como "A voz das Américas" ("New York Times") e "A Sarah Vaughn do Brasil" ("New York Post"), quando se apresentou em Washington, ao lado de Herbie Mann e Charles Byrd. Em 2002, lançou, com o violonista e guitarrista Romero Lubambo, o CD "Duo".  Nesse mesmo ano, cumpriu temporada no Chiko's Bar (RJ), ao lado do trio formado por João Carlos Coutinho (piano), Lúcio Nascimento (baixo) e Adriano de Oliveira (bateria), com o show "Carnaval com bossa". Também em 2002, dividiu o palco do Teatro Rival BR (RJ) com a cantora Leny Andrade, para registrar o lançamento do CD "Nós", gravado em 1994. Em 2003, gravou, com seu filho Pedro Camargo Mariano, o CD "Piano e voz", contendo canções como "Tudo bem" (Lulu Santos), "Caso sério" (Rita Lee e Roberto de Carvalho), "Deixar você" (Gilberto Gil), "Tarzan, o filho do alfaiate" (Noel Rosa e Vadico), e "Caminhos cruzados" (Tom Jobim e Newton Mendonça), entre outras, além de sua composição "Par ímpar" (c/ Jair Oliveira). Nesse mesmo ano, os dois artistas fizeram show de lançamento do disco no Canecão (RJ) e no DirecTV (SP). Em 2004, lançou o DVD "César Camargo Mariano e Pedro Mariano – Piano & Voz", dirigido por Oscar Rodrigues Alves, registro do show realizado, no ano anterior, no Canecão. Também em 2004, voltou ao palco do Canecão, ao lado de Pedro Mariano, com o show "Piano e voz". Lançou , em 2005, o DVD “Duo - César Camargo Mariano e Romero Lubambo” e, em 2006, o CD “Leny Andrade e César Camargo Mariano ao vivo”, gravado ao vivo no Teatro Guaíra, em Curitiba. Celebrando 50 anos de carreira, publicou, em 2011, o livro autobiográfico “Solo: Cesar Camargo Mariano – memórias” (LeYa). Nesse mesmo ano, fez show de lançamento do livro no Teatro Rival Petrobras (RJ).   Em 2017, em declaração à imprensa, garantiu que só Ivete Sangalo se “salva” na atual indústria cultural brasileira. Os dois produziram juntos em 1999 o sucesso “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim”, interpretado por Ivete Sangalo. Neste mesmo ano, iniciou o projeto envolvendo uma fusão entre elementos da MPB, do jazz e da música clássica, que resultou no DVD Joined, ao lado de um trio de músicos da Orquestra Filarmônica de Berlim. O grupo se apresentou na Sala São Paulo, como parte da série de Concertos Internacionais da TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer). Joined foi gravado em estúdio com participação especial dos solistas clássicos internacionais Rüdiger Liebermann (violino), Benoit Fromanger (flauta) e Walter Seyfarth (clarinete). Contou também com a participação dos músicos Conrado Goys (violão), Sidiel Vieira (baixo) e Thiago Rabello (bateria). O repertório deste projeto foi composto inteiramente de músicas brasileiras. Ainda em 2017, dois de seus discos da década de 1990 foram repostos no catálogo em edições digitais pela gravadora Universal Music. O disco Natural (PolyGram, 1993) que foi gravado com o quarteto formado com Luís Carlos (percussão), Marcelo Mariano (baixo) e Pantico Rocha (bateria), e o disco Solo Brasileiro (PolyGram, 1994) que foi gravado em Los Angeles (EUA).  Em 2018, apresentou-se em uma série de shows ao lado de Airto Moreira e Humberto Clayber, compondo a formação original do Sambalanço Trio, criado por ele em 1962. No mesmo ano, o disco “Elis”, lançado originalmente em 1972, foi restaurado, remixado e remasterizado para relançamento no Dia das Mães. Esse teria sido o primeiro disco da cantora produzido por ele. Ainda em 2018, apresentou- se em uma série de espetáculos na Borboun Street Music Club na cidade de São Paulo com o Cesar Camargo Mariano Trio, acompanhado de músicos da nova geração, Sidiel Vieira (baixo) e Thiago Rabello (bateria). Também no mesmo local, ministrou workshops onde compartilhou suas experiências como pianista, tecladista, arranjador, compositor e produtor, em duas horas de bate papo, respondendo perguntas dos participantes que também tiveram a oportunidade de tocar com Cesar durante uma sessão com 30 minutos de duração, compartilhando dicas valiosas sobre dinâmica, ritmo, groove, harmonia, acompanhamento e solos.  Apresentou-se no Bourbon Jazz Festival Paraty, edição de 10 Anos. Na ocasião convidou a jovem cantora americana Madison McFerrin.

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