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Cartola

Angenor de Oliveira
11/10/1908 Rio de Janeiro, RJ
30/11/1980 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Em 1925, com o amigo e parceiro Carlos Cachaça, fundou o Bloco dos Arengueiros, que, três anos mais tarde, ao se unir a outros blocos do Morro da Mangueira, levou à criação, em 28 de abril de 1928, da Estação Primeira de Mangueira. Além dele e Carlos Cachaça, participam da fundação da segunda escola de samba, a primeira havia sido a "Deixa Falar", fundada por Ismael Silva e Bide, entre outros, no Estácio,  Saturnino Gonçalves, Pedro Caymmi, Marcelino, José Claudino  e Francisco Ribeiro. No mesmo ano, compôs o primeiro samba para um desfile da Mangueira, "Chega de demanda".
Em 1929, procurado pelo cantor Mario Reis, através de um estafeta chamado Clóvis Miguelão, segundo o pesquisador Luís Antônio Giron, vendeu a ele o samba "Que Infeliz Sorte!", que acabou sendo gravado, em novembro daquele ano, não por Mario Reis, mas por Francisco Alves, sendo assim, seu primeiro samba gracado. A aproximação com Francisco Alves o tornou conhecido como compositor. Assinava então Agenor de Oliveira. Em 1932, Francisco Alves e Mário Reis gravaram em dueto seu samba "Perdão, meu bem". Vendeu outros sambas a Francisco Alves, que gravou no mesmo ano o samba "Não faz mal amor", parceria com Noel Rosa, cujo nome não apareceu no rótulo do disco. Ainda nesse ano, Francisco Alves gravou o samba "Qual foi o mal que eu te fiz", lançado no ano seguinte, Carmen Miranda o samba "Tenho um novo amor" e Sílvio Caldas o samba "Na floresta", parceria dos dois.
Em 1933, Francisco Alves gravou o samba "Divina Dama", que viria a ser usualmente considerado seu primeiro sucesso popular.  Ainda nesse ano, Arnaldo Amaral gravou o samba "Fita meus olhos", parceria com Osvaldo Vasques. Ao contrário de outros compositores da época, não vendia a autoria das músicas, mas apenas o direito sobre a vendagem dos discos, razão pela qual seus sambas continuavam a sair assinados por ele. Em 1936, Aracy de Almeida gravou na RCA Victor o samba "Não quero mais", parceria com José Gonçalves, o Zé da Zilda e Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça. No ano anterior, esse samba fora premiado no desfile da Mangueira.
Continuou dedicando-se à Escola de Samba que ajudara a fundar. Sua primeira parceria com Carlos Cachaça, "Pudesse meu ideal", vence o concurso promovido pelo jornal O Mundo Esportivo. Vieram então alguns anos de sucesso e fama, a amizade e parceria com Noel Rosa, freqüentador de sua casa na Mangueira, as visitas de Villa-Lobos, que se tornou admirador de suas composições e o indicou para participar, em 1940, das gravações regidas pelo maestro Leopold Stokowski a bordo do navio Uruguai, ancorado no cais da Praça Mauá. Na ocasião,  interpretou, ao lado de pastoras da Mangueira, o samba "Quem me vê sorrindo", parceria com Carlos Cachaça. Dessas gravações regidas por Stokowkski, foram produzidos oito discos de 78 rpm,  registrando, além da sua primeira gravação, o coro da Mangueira com as vozes de D. Neuma e de suas irmãs, a clarineta de Luís Americano, emboladas de Jararaca e Ratinho, a flauta de Pixinguinha, além das participações de Donga e João da Baiana e um arranjo de Villa-Lobos para o tema indígena Canidé Joune.
Passou, então, a cantar no Rádio, interpretando composições próprias e também de outros autores. Juntamente com Paulo da Portela, apresentou, na Rádio Cruzeiro do Sul, o programa "A Voz do Morro", que lançava sambas ainda inéditos e sem título e no qual os ouvintes é que deviam dar nome aos sambas. Assim, o programa premiava o ouvinte que tivesse sugerido o título escolhido para o samba. Com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres  formou, em 1941, o "Conjunto Carioca", que chegou a se apresentar em programas radiofônicos em São Paulo. Nesse ano, Ataulfo Alves gravou na Odeon o samba "Não posso viver sem ela", parceria com Alcebíades Barcelos.
Em 1948, a Mangueira venceu o desfile das escolas-de-samba com um samba seu também feito em parceria com Carlos Cachaça, " Vale do São Francisco", mas ele nem dá sinal de vida. Em 1952, Gilberto Alçves gravou na RCA Victor o samba-canção "Sim", parceria com O . Martins. Foi somente após o reencontro do compositor com o cronista Sérgio Porto, em 1956, que retomou lugar de destaque no cenário da música popular. Primeiro, na Rádio Mayrink Veiga, para onde foi levado pelo próprio Sérgio Porto. Em 1958, foram gravados seus sambas "Grande Deus", por Jamelão na Continental e "Festa da Penha", por Ari Cordovil no pequeno selo Vila.
Passou mais um período obscurecido somente voltando a aparecer no cenário musical no início dos anos 1960, ao lado daquela que seria sua companheira até o fim da vida, D. Zica, quando inaugurou o Zicartola, na Rua da Carioca, ponto de encontro de sambistas de morro e jovens de classe média que se interessavam pelo chamado "samba de raiz". Em 1960, Nuno Veloso gravou na RCA Victor o samba "Vale do São Francisco", com Carlos Cachaça. No Zicartola, desafiado pelo amigo Renato Agostini, compôs com Elton Medeiros, em cerca de 30 minutos, o samba "O sol nascerá", que se tornaria logo um sucesso e, anos mais tarde, um clássico. A mesma facilidade para compor experimentaria num samba feito a seis mãos. Compusera com Carlos Cachaça a primeira parte de um samba que decidiram mostrar a Hermínio Bello de Carvalho, que escreveu então os versos da segunda parte, que ele musicou na hora. Nascia assim uma de suas composições mais famosas: "Alvorada no morro". Em 1964, o samba "O sol nascerá", foi gravado por Isaura Garcia na Odeon e por Nara Leão no selo Elenco. Em 1965, gravou na Som Livre seu samba "Alegria". Nesse ano, Elizeth Cardoso gravou na Copacabana o samba "Sim", com O . Martins e Leny Andrade, Pery Ribeiro e Bossa Três regravaram "O sol nascerá".
Em 1966, gravou com Clementina de Jesus na Copacabana seu samba "Fiz por você o que pude". Em 1968, participou em duas faixas do LP "Fala Mangueira", que teve também gravações de Nelson Cavaquinho, Odete Amaral, Clementina de Jesus e Carlos Cachaça, entre outros, um lançamento da Odeon. Nesse ano, gravou com Odete Amaral na Odeon seu samba "Tempos idos", com Carlos Cachaça e Cyro Monteiro gravou na RCA Victor o samba "Tive sim". Em 1970, a Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na série "História da música popular brasileira" no qual interpretou o samba "Preconceito", de sua autoria. Em 1972, Paulinho da Viola gravou na Odeon o samba 'Acontece" e Clara Nunes, também na Odeon, "Alvorada no morro". De Carvalho. Em 1973, Elza Soares gravou na Odeon o samba "Festa da vinda", com Nuno Veloso.
Somente em 1974, aos 65 anos, gravou o primeiro LP inteiramente seu, pelo selo Marcus Pereira, produzido por João Carlos Bozelli, o Pelão e com direção artística de Aluizio Falcão.  A crítica só teve elogios para esse disco no qual interpretou  os sambas "Acontece", "Tive, sim", "Amor proibido", "Alegria", "Fiz por você o que pude" e "Chega de demanda", apenas de sua autoria, "Quem me vê sorrindo" e "Vale do São Francisco", com Carlos Cachaça, "Festa da vinda", com Nuno veloso, "Corra e olha o céu", com Dalmo Castelo, "Ordenes e farei", com Aluísio Dias e "Alvorada", com Carlos Cachaça e Hermínio B. Carvalho.
Também em 1974, a gravadora Marcus Pereira lançou o LP "História das escolas de samba: Mangueira", no qual ele interpretou algumas faixas. Pouco depois, durante uma entrevista ao radialista e produtor Luiz Carlos Saroldi, num programa especial para a Rádio Jornal do Brasil AM, apresentou dois sambas ainda inéditos: "As rosas não falam" e "O mundo é um moinho". Saroldi logo se deu conta de que acabara de ouvir duas obras-primas da música popular. Ainda em 1974, participou do programa radiofônico "MPB - 100 ao vivo", produzido e apresentado por R. C. Albin em cadeia nacional de emissoras para o Projeto Minerva. Os programas foram editados em oito LPs com o mesmo título, lançados pelo selo Tapecar e neles, ocupou todo um lado de um dos discos, deferência só concedida a dois outros convidados, Luiz Gonzaga e Paulinho da Viola, que estão começava. Também no mesmo ano, participou da série de espetáculos sobre a história da MPB, produzida e também apresentada pessoalmente por R. C. Albin no Ibam, no bairro carioca de Botafogo, em que atuou ao lado da cantora Rosana Tapajós e do flautista Altamiro Carrilho. O show intitulou-se "O sol nascerá" e ali sua vida mais uma ves era narrada em revista.
Em 1976, elas seriam lançadas no seu segundo LP, também pela Marcus Pereira. Na gravação de "O mundo é um moinho", foi acompanhado ao violão por Guinga, então um rapaz de apenas 20 anos, mas já um talentoso instrumentista. Ainda nesse disco, interpretou suas composições "Minha", "Sala de recepção", "Aconteceu", "Sei chorar", "Cordas de aço" e "Ensaboa". Gravou também as canções "Preciso me encontrar", de Candeia, "Senhora tentação", de Silas de Oliveira, e "Pranto de Poeta", de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Também nesse ano, Clementina de Jesus gravou "Garças pardas", parceria com Zé da Zilda.
Em 1977, gravou pela RCA Victor o LP  "Verde que te quero rosa", título de uma de suas músicas, em parceria com Dalmo Castelo. Desse LP fazem parte o samba-canção "Autonomia", com arranjo e acompanhamento ao piano de Radamés Gnatalli, além de "Nós Dois", composta especialmente para o casamento com D. Zica, em 1964. Recriou "Escurinha", samba do mangueirense Geraldo Pereira, falecido prematuramente em conseqüência de uma briga com "Madame Satã". O texto de apresentação do disco, produzido por Sérgio Cabral, é assinado pelo especialista em samba Lúcio Rangel. Estão presentes ainda os sambas "Desfigurado", "Grande Deus", "Que é feito de você", "Desta vez eu vou" e "Nós dois", de sua autoria, "Fita meus olhos", com Osvaldo Vasques e "A canção que chegou", com Nuno Veloso. Nesse ano, Beth Carvalho gravou com sucesso "O mundo é um moinho" e a Rede Globo apresentou o programa "Brasil Especial", escrito pelos críticos Sérgio Cabral e R. Cravo Albin, com direção de Augusto César Vannucci inteiramente dedicado a sua vida e obra. No mesmo ano, participou do Projeto Pixinguinha, ao lado de João Nogueira, em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, sempre com os teatros lotados. Também em 1977, foi convidado pela Prefeitura de Curitiba para integrar o juri do desfile das escolas de samba locais, onde, pela primeira e única vez julgou um desfile das escolas que ele ajudara a fundar ao começo dos anos 1930.
Em 1978, gravou com Eliana Pittman na RCA o samba "Meu amigo Cartola", de Roberto Nascimento, e, com Odete Amaral na EMI-Odeon o samba "Tempos idos", parceria com Carlos Cachaça. Ainda nesse ano, "As rosas não falam" foi regravada por Valdir Azevedo, João Maria de Abreu, Joel Nascimento e Fagner. Também no mesmo ano, Elizeth Cardoso gravou "Acontece", na Copacabana e Odete Amaral "Alvorada", na Emi-Odeon. Também em 1978, apresentou-se em seu primeiro show individual,  "Acontece", título de uma de suas músicas de maior sucesso, gravada por Gal Costa em 1974, e por Caetano Veloso na década de 1980. Durante a apresentação no Ópera Cabaré, em São Paulo, no mês de dezembro, o show foi gravado ao vivo, por iniciativa de J.C. Botezelli, mais conhecido como "Pelão" - o responsável pelo primeiro disco de Cartola, lançado pela Marcus Pereira. Esse registro ao vivo só sairia em LP dez anos após a morte do compositor.
Em 1979, lançou na RCA o LP "Cartola 70", também foi produzido por Sérgio Cabral, no qual interpretou seus sambas "Feriado na roça", "Fim de estrada", "Enquanto Deus consentir", "Dê-me graças, senhora", "Evite meu amor", "Bem feito" e "Ao amanhecer", além de "O inverno do meu tempo" e "A cor da esperança", com Roberto Nascimento; "Ciência e arte" e "Silêncio de um cipreste", com Carlos Cachaça; "Senões", com Nuno Veloso e "Mesma estória", com Elton Medeiros. Aina nesse ano, Nelson Gonçalves e Emílio Santiago regravaram "As rosas não falam". Em fins de1979, participou de um programa na Rádio Eldorado, de São Paulo, no qual contou um pouco de sua vida e cantou músicas que andava fazendo. Essa entrevista foi posteriormente lançada em LP, nos anos 1980, e depois em CD, com o nome "Cartola - Documento Inédito".
Em 1980, a cantora Beth Carvalho, gravou "As rosas não falam", um dos carros-chefe de seu repertório e, "Consideração", com Heitor dos Prazeres. Com Nelson Cavaquinho, uma outra legenda entre os compositores ligados à Mangueira, compôs apenas "Devia ser condenada", gravada pelo parceiro no disco "As flores em vida", produzido pelo poeta Paulo Cesar Pinheiro, em homenagem a Nelson Cavaquinho, na década de 1980. Em 1981, Artur Oliveira concluiria o samba "Vem", que Cartola deixara inacabado, e seu livro escrito juntamente com Marília Trindade Barboza, a biografia "Cartola, os tempos idos" seria lançado pela Funarte, em 1983. No ano seguinte,  também pela  Funarte, sairia o LP "Cartola, entre amigos". Ainda na década de 1980, a gravadora Som Livre produziu o disco "Cartola -Bate outra vez", onde intérpretes dos mais variados estilos, como Gal Costa, Cazuza, Luiz Melodia, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, entre outros, interpretam algumas de suas composições. A cantora Marisa Monte viria a incluir em seu repertório o lundu "Ensaboa", composto em 1975 e gravado pelo compositor em seu segundo LP. 
A cantora Claudia Telles, filha de Silvinha Telles, um dos ícones da Bossa Nova lançaria, em 1995, um CD no qual interpreta composições de Cartola e Nelson Cavaquinho. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na Coleção "MPB Compositores" (Nº 12). No ano seguinte, Elton Medeiros e Nelson Sargento gravaram o CD "Só Cartola", que lançaram em shows bastante aplaudido em casas noturnas como o Mistura Fina, no Rio de Janeiro. Elton Medeiros também se apresentou com a cantora Márcia no espetáculo "Cartola 90 anos", que resultaria em CD lançado pelo SESC/SP, ainda em 1998. No mesmo ano, o grupo Arranco (ex- Arranco de Varsóvia) lançou o CD "Samba de Cartola", pela Dubas, gravadora criada pelo letrista Ronaldo Bastos.
Em 2001, a RCA Victor, comemorando 100 anos, lançou em CD o disco "Cartola - Verde que te quero rosa". Nesse ano foi fundado o Centro Cultural Cartola tendo por base a obra do compositor. No ano seguinte, o cantor Ney Matogrosso lançou em show no Canecão o CD "Cartola" com repertório todo dedicado ao compositor da Mangueira.
Em 2003, sua neta descobriu numa pasta vários letras inéditas que deverão ser musicadas por antigos parcerios e lançadas em CD. Ainda em 2003, a cantora Beth Carvalho lançou o CD "Beth Carvalho canta Cartola", coletânea de vários sucessos do sambista mangueirense por ela interpretados em seus discos. Nesse trabalho, produzido pelo crítico musical e escritor Rodrigo Faour, foram incluídas "Camarim", "Consideração", "Motivação", "Cordas de aço", "Acontece" e "O mundo é um moinho", entre outras.
Em 2004, estreou no Centro Cultural Banco do Brasil o espetáculo musical "Obrigado Cartola", de Sandra Louzada, com direção de Vicente Maiolino, contando a vida do compositor e apresentando sambas clássicos como "Quem me vê sorrir", "Sala de recepção" e "Alvorada".No espetáculo o compositor foi vivido pelo ator Flávio Bauraqui. No mesmo ano, foi lançado pela Editora Moderna o livro "Cartola", de Monica Ramalho. Em 2007, foi lançado no Cine Odeon o filme "Cartola - música para os olhos", com direção de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda. Em 2008, esquecido no ano de seu centenário pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira que ajudou a fundar, foi, no entanto, homenageado pela escola de Samba Unidos do Tuiutí com o enredo "Cartola, teu cenário é uma beleza" que ajudou a escola de São Cristóvão a subir para o grupo de Acesso A. Ainda em 2008, dando início às comemorações do centenário de seu nascimento foram realizados na Sala Cecília Meireles dois concertos com a Orquestra de Solistas Brasileiros, Rildo Hora e apresentação de Ricardo Cravo Albin. Nesse ano, dentro das comemorações pelo seu centenário foi lançado pelo selo Biscoito Fino o CD "Viva Cartola - 100 anos" que incluiu gravações lançadas em outros discos com destaque para os sambas "Todo o tempo que eu viver" cantado por ele próprio, Paulinho da Viola e As Meninas da Mangueira, faixa do disco "Tom na Mangueira", "Festa da Penha" interpretada por Marcos Sacramento, "O mundo é um moinho", cantado por Pedro Miranda e grupo Tira Poeira, e a versão intrumental de "Amor proibido" tocado por Zé Paulo Becker. A única faixa inédita do disco é "Basta de clamares inocência" gravada por Martinália. No dia em que completaria 100 anos de nascimento chegou às lojas o CD independente "Cartola para todos" do produtor paulista Alvaro Fernado que levou dez anos para concluir o disco. O CD contou com as participações de 36 artistas entre intérpretes e instrumentistas, entre os quais estão o violonista Emerson Villani, o clarinetista Paulo Moura e o percussionista Marcos Suzano. Foram interpretadas 13 composições do mestre mangueirense: "Minha" na voz de Lupa Mabuze e "O sol nascerá", na de Mané Messias, em versões mais ligadas ao samba, "Alvorada" que ganhou uma versão samba-funk-eletrônica de Rica Caveman, "Ensaboa" em versão forró de Enok Virgulino do Trio Virgulino, "Corra e olhe o sol" que a cantora Bluebell registrou em forma de samba com guitarras, "As rosas não falam" que ganhou uma versão folk de Tony Gordon, e a versão semi jazzística de Wanda Sá para  "O mundo é um moinho". Ainda fez parte do CD um depoimento de dez minutos que o compositor havia feito para o álbum "Documento inédito" da gravadora Eldorado. Também no dia em que completaria 100 anos de nascimento foi feita uma homenagem a ele no Centro Cultural Cartola, na Rua Visconde de Niterói na Mangueira quando ritmistas de várias escolas de samba tocaram uma alvorada e tamborins. O evento contou ainda com as participações da Orquestra Sinfônica da Banda do Corpo de Bombeiros e da Orquestra de Violinos Cartola Petrobras. No mesmo evento foi lançado o CD "Falabella de Cartola", da cantora e atriz Vanessa Falabella, que cantou acompanhada do pianista americano Cliff Korman. Foi servida uma feijoada e lidas poesias do compositor. Completando o ciclo de homenagens foi realizado no Canecão, Rio de Janeiro, um show em sua homenagem  no qual artistas como Alcione, Maria Rita, Beth Carvalho, Emílio Santiago, Nelson Sargento, Leci Brandão, Sandra de Sá, Jorge Vercillo, Rildo Hora, Dorina, Velha Guarda da Mangueira e Orquestra de Violinos Cartola Petrobras interpretaram as composições do sambista. Foi também apresentado um especial do programa "Som Brasil" da TV Globo no qual Pedro Moraes, Teresa Cristina, Vanessa da Mata, Alcione relembraram clássicos do mestre. Ainda em sua homenagem a teóloga e professora da PUC, Maria Clara Bingemer escreveu uma crônica intitulada "Cartola ou a linguagem das rosas" na qual afirmou: "Ah, senhores, é obstinada a musa, entrega-se a quem quer e só aos que elege. Assim foi com Cartola, Agenor de Oliveira, servente de pedreiro e pouco letrado. Foi-lhe dado conhecer os segredos da poesia e o enredo das palavras. Sob a inspiração de seu violão, falava sobre tudo: homens, mulheres, natureza, cidade e rosas. Mas as rosas não falam, não é isso mesmo que Cartola disse em seu imortal samba? Pois bem, se como dizia Gertrude Stein "uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa", a partir de Cartola as rosas falam, sim senhor. Falam e dizem coisas das quais até Deus duvida". Em 2009, foi lançado o DVD "Cartola e Dona Zica" da série "MPB especial" apresentado por Fernando Faro. No programa o compositor cantou clássicos de sua autoria como "Sim", "Ao amanhecer", "Acontece", "Tive sim", "O sol nascerá" e outras, além de contar histórias sobre sua vida e sobre a Escola de Samba Mangueira. O programa original foi ao ar em 1973. Em 2011, foi lançado pelo selo Discobertas em convênio com o ICCA - Instituto Cultural Cravo Albin a caixa "100 anos de música popular brasileira" com a reedição em 4 CDs duplos dos oito LPs lançados com as gravações dos programas realizados pelo radialista e produtor Ricardo Cravo Albin na Rádio MEC em 1974 e 1975. No volume 7 estão suas interpretações para os sambas "Divina dama" e "Acontece", de sua autoria; "Quem me vê sorrindo", com Carlos Cachaça; "O sol nascerá", com Elton Medeiros, e "Alvorada", com Hermínio Bello de Carvalho e Carlos Cachaça. Em 2013, foi lançado o  livro "Divino Cartola - Uma vida em verde e rosa", que sem trazer informações biográficas novas é um apanhado de informações sobre a vida do compositor mas que traz como novidade imagens dos manuscritos produzidos por ele, alguns inéditos. O livro é acompanhado de um CD com a gravação do último show dele, realizado no Ópera Cabaré, em São Paulo, em 1978. Em 2017, estreou no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, o espetáculo musical "Cartola - O Mundo é um moinho", estrelado pelo ator Flávio Bauraqui e contando com dramaturgia do jornalista Artur Xexéo e mais 17 atores. O espetáculo chegou ao Rio depois de vitoriosa temporada em São Paulo. Para a peça foi composto com exclusividade por Arlindo Cruz e Igor Legal o samba-enredo "Mestre Cartola". Ao longo do espetáculo são revividos episódios da vida do compositor, um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Em 2018, começou a ser preparada pelo jornalista Luiz Fernando Vianna uma nova biografia do compositor a ser lançada em 2020 por ocasião dos 40 anos de sua morte.

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