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Carmen Miranda

Maria do Carmo Miranda da Cunha
9/2/1909 Marco de Canavezes, Portugal
5/8/1955 Beverly Hills, Los Angeles, EUA

Crítica

Carmen Miranda também vem merecendo citações, livros e artigos em praticamente todo o mundo, que a incensam como um ícone do exagero tropicalista brasileiro, da luxuriante “extravaganza” musical de Hollywood nos anos 40 e até da alegria desenfreada que sua figura emitia. Figura que era uma rara conjugação de olhos, mãos e corpo inteiro ondulante, cujo ponto culminante estava não só nos turbantes recheados com frutas dos trópicos, como nas frases metralhadas em português dentro do seu inglês de forte sotaque latino-americano. Mas quem foi, lá no fundo da alma, essa portuguesa de nascimento (Marco de Canavezes, vila de colhedores de nobre vinhedo, perto do Porto), que veio morar no Rio com apenas um ano de idade?

Vale dizer que Carmen Miranda foi: 1 — a rainha absoluta da época de ouro da MPB no Brasil (1930-1940), gravando dezenas de sucessos. Um filete de voz projetado com tal charme e “swing”, que logo conquistaria o país e deixaria no chinelo sua inspiradora, a supervedete Aracy Cortes; 2 — a rainha absoluta de Hollywood entre 1941 e 1949, quando chegou a ser a estrela de cinema mais bem paga do mundo, estrelando filmes de qualidade até duvidosa (reconheço), mas iluminados por sua personalidade magnética. Quem duvidar que faça um exercício: veja no vídeo qualquer filme da Carmen e tente tirar os olhos dela quando aparece em cena. Como resistir a um ser quase de um outro planeta?

Carmen foi, sim, um ser especialíssimo e iluminado: bem-humorada e feliz, era capaz de dizer palavrões com uma graça tal, que ninguém se dava conta dos ditos cabeludos, insuportáveis em qualquer outra mulher de sua época.

Só que, mesmo cercada pelo namorado Aluysio de Oliveira (do Bando da Lua), teve que curvar-se ao catolicismo de sua mãe. E, para satisfazê-la, casou-se. Com o homem errado, o produtor David Sebastian. Data daí, do casamento, seu infortúnio e sua perdição. O marido, quase um rufião, explorava-lhe como empresário e a torturava como homem, chegando ao desatino de lhe aplicar pancadas em público. O que a levou quase à loucura e ao trágico fim, provocado pela ingestão de excitantes (bolinhas) para acordar, dormir e até se alimentar.

Ou seja, vivendo nas telas a “féerie” do samba saltitante, vivia em casa o drama soturno do bolero mexicano mais chinfrim. Não poderia dar bom resultado. Por isso tudo, Carmen sucumbiu aos 46 anos. Morte prematura que ajudou, a meu ver, a preservar o mito e a “persona” que ela representava com frescor e vivacidade.

Ricardo Cravo Albin

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