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Carmen Costa

Carmelita Madriaga
5/1/1920 Trajano de Moraes, RJ
25/4/2007 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Começou sua carreira participando de coros em gravações de nomes famosos da MPB. Em 1937 adotou o nome artístico de Carmen Costa, sugerido pelo compositor Henricão (Henrique Felipe da Costa), com quem a cantora passou a viver e formou uma dupla em 1938, apresentando-se em feiras de amostras como a do Arraial do Rancho Fundo, em Juiz de Fora, MG.  Em 1939, apresentou-se com o amigo e namorado numa feira de amostras na Praça XV, no Rio de Janeiro, ao lado de grandes cantores da época como Carmen e Aurora Miranda, Alvarenga e Ranchinho e Irmãs Pagãs, entre outros. Com Henricão, formou dupla até 1942, chegando a gravar com ele alguns sucessos como: "Onde está o dinheiro?", do próprio Henricão, "Dance mais um bocado", dele e Príncipe Pretinho e "Samba, meu nego", de Buci Moreira e Miguel Bastos. Gravou o primeiro disco solo em 1942, lançando pela Victor a valsa "Está chegando a hora", versão feita por Henricão e Rubens Campos da música mexicana "Cielito lindo", que se tornou um grande sucesso dos carnavais.  Em 1943, gravou de Heitor dos Prazeres, o samba "A coisa melhorou". Em 1944, gravou os sambas "Madalena", de Raul Marques e Vasco Gomes e "Não há", de Heitor dos Prazeres. No mesmo ano,  gravou "Chamego", de Luiz Gonzaga, sendo ela, uma das primeiras a gravar músicas do compositor. Em 1945, gravou os maxixes "Sarapaté", de Luiz Gonzaga e Alselmo Domingos e "Ciúme", de Henricão e Raul Marques. Em 1946, gravou o samba "Siga seu destino", de Rubens Campos e Henricão e o samba choro "Meu barraco", de Dilu Melo e Duque.  Em 1947, quando morava nos EUA, fez show no Teatro Triboro em Nova York. Viajou pela América do Sul, apresentando-se em Caracas na Venezuela e em Bogotá, na Colômbia. Em 1949, de volta ao Brasil, estreou na gravadora Star, cantando o frevo canção "Sonhei que estava em Pernambuco", de Clóvis Mamede.  Em 1951, gravou os sambas "Se é pecado eu não sei", de Henrique de Almeida e Humberto de Carvalho e "Cetim para as baianas", de César Brasil e Elpídio Viana. Em 1952,  gravou a batucada "Vai levando", de Ataulfo Alves e José Batista. No mesmo ano, gravou com Colé a marcha "Cachaça", de Mirabeau, Héber Lobato, Marinósio Filho e Lúcio de Castro, que alcançou grande sucesso, ainda hoje uma das músicas mais tocadas nos carnavais.  Em 1953, gravou com Colé, os baiões "Maria Pé de Boi", de Mirabeau e Jorge Gonçlves e "Batendo pé", de Sílvo Viana e Mirabeau.  A partir de 1954, mudou seu estilo de interpretação, que passou a ser mais coloquial e intimista, obtendo grande sucesso nacional com sambas-canções como "Quase" e "Eu sou a outra", a primeira escrita pelo pai de sua única filha Lú, o compositor Mirabeau e a segunda por Ricardo Galeno. Para isso, passou a cantar em tons mais graves. Ainda em 1954, gravou a marcha "Tranca rua", de Adelino Moreira, Mirabeau eJorge Gonçlves e o samba "Mais tempero", de Gildásio Ferreira, Miguel Lima e Abadio Luz. Ainda no mesmo ano, dentro de seu novo estilo, gravou o bolero "Canção da alma", de R. Hernandez e Ferreira Gomes e o smaba canção "Quase", de Mirabeau e Jorge Gonçalves. Outro sucesso nessa mesma época foi o samba "Jarro da saudade", que seria incorporado a seu repertório permanente. Em 1955, participou do filme "Carnaval em Marte", de Watson Macedo. No mesmo ano, conheceu outro grande êxito carnavalesco com a marcha "Tem nêgo bebo aí", de Mirabeau e Airton Amorim, e que foi escolhida por um júri reunido no Teatro João Caetano como um das dez mais populares marchas do carnaval daquele ano. Ainda na mesmo ano, gravou em dueto com Mirabeau a toada "Presidiário", de Mirabeau e Airton Amorim e o samba canção "Se você me quer bem", de Mirabeau e Jorge Gonçalves. Em 1956, gravou o samba "Na paz de Deus", de Mirabeau e Milton de Oliveira,  a marcha "Deixa o cabrito berrar", de Mirabeau, Milton Oliveira e Airton Amorim e o samba canção "Se eu fosse contar", de Irani de Oliveira e Araguari. No mesmo ano, participou do filme "Depois eu conto", de José Carlos Burle. Em 1957, lançou o LP "Carmen Costa nº 2", no qual interpretou, entre outras, "Bairro pobre", de Alberto Paz e Carlos Monteiro de Souza; "Só falo de amor", de Don Madrid, Waldir Rocha e Mirabeau; "Almas irmãs", de Waldir Rocha; Jorge Gonçalves e Mirabeau e "Senhoras e senhores", de Zé e Genival Macedo.  Em 1958, atuou no filme "Vou te contá", de Alfredo Palácios. No mesmo ano gravou os sambas "Lágrimas de sangue", de Mirabeau, Pedro de Almeida e Dom Madrid e "Augusto Calheiros", de Mirabeau e Dom Madrid, homenagem ao cantor alagoano, falecido dois anos antes.  De 1959 a 1963, realizou excursões por diversos países.  Em 1961, permaneceu uma temporada no Brasil, a fim de gravar "Se eu morrer amanhã", de José Garcia. No mesmo ano, gravou  a "Marcha do Cordão do Bola Preta", de Nélson Barbosa e Vicente Paiva,"hino" do famoso cordão carnavalesco carioca. Em 1962, participou com o violonista Bola Sete do lendário concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, ao lado de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Stan Getz, entre outros.  Em 1963, gravou o samba "Eu sou a outra", de Ricardo Galeno e o samba canção "Quase", de Mirabeau e Jorge Gonçalves. Em 1964, depois de alguns meses no Brasil, retornou aos EUA ao lado de Sivuca, com quem realizou vários shows. No mesmo ano, lançou o LP "Embaixatriz do samba", interpretando, entre outras, "Esperança", de José Paulo e Dom Madrid; "Madrugada zero zero", de Genival Melo e Dora Lopes e "Incompatibilidade", de Carmen Lúcia. Em 1967, particpou do LP "Eternamente samba" lançado por Ataulfo Alves pela Polydor e no qual foi incluída a sequência "Polêmica Ataulfo Alves X Carmen Costa", na qual ela interpretou com Ataulfo os sambas "Pois é", "Sai do meu caminho", "Duro com duro", "O vento que venta lá" e "Na ginga do samba", todos de Ataulfo Alves, "A morena sou eu", de Mirabeau e Milton de Oliveira, e "Conte o caso direito", de Valdemir e Nilton Carudo. No início dos anos 1970, retornou definitivamente ao Brasil e passou a exibir-se em boates de São Paulo e do Rio de Janeiro.  Em 1971, lançou o LP "Ziriguidum no sambão", com antigos lançamentos seus, como "Se eu morrer amanhã"; "Tem bobo pra tudo" e "A mulher do Lino". Em 1973, lançou pela RCA Victor o LP "Trinta anos depois", no qual gravou, "Gente humilde", de Chico Buarque, Garoto e Vinícius de Moraes; "Amor pra que nasceu", de Martinho da Vila; "Depois de tanto amor", de Paulinho da Viola e "Desolação", de Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho Tapajós. Em 1974, participou do show "Se você jurar", que contava a vida de Ismael Silva, além da sua própria trajetória no Teatro Paiol de Curitiba, a convite do então prefeito daquela cidade, Jaime Lerner. O espetáculo, que reuniu a cantora, Ismael Silva e o violonista Codó, foi escrito, dirigido e apresentado em palco por Ricardo Cravo Albin, ficando durante um mês no Teatro Senac, em Copacabana, temporada de grande sucesso. Foi gravado pela TV Excelsior de SP e  partiu para temporada no Tuca de SP e Teatro Senac do Rio de Janeiro. O show marcou a volta dela  à vida artística, interrompida por algum tempo e foi muito elogiado pela crítica. Ainda neste ano, lançou, juntamente com Paulo Marques, o LP "A música de Paulo Vanzolini", pela etiqueta Marcus Pereira, no qual foram cantados 12 obras do compositor paulista, entre as quais, "Ronda"; "Mulher toma juízo"; "Samba abastrato" e "Mulher que não dá mais samba".  Em 1975, realizou espetáculo no Outeiro da Glória, dirigido por Artur Laranjeira e Antônio Chrisóstomo, com arranjos do maestro e saxofonista Paulo Moura, intitulado "Benditos, hinos e ladainhas", lançado posteriormente em LP onde interpreta várias peças do folclore brasileiro. Realizou vários recitais do mesmo tipo em várias igrejas e teatros do Brasil, entre as quais, Igreja do Embu, em São Paulo; Catedral de Brasília, DF, e Teatro Guaíra, em Curitiba. Em 1980, em programa da TV Educativa do Rio de Janeiro, intitulado "Tudo é música", reencontrou Henricão e os dois relembraram antigos sucessos. Em outubro daquele ano, resolveram reeditar a dupla e gravaram o LP "Henricão - Recomeço", pelo Estúdio Eldorado. O disco não teve repercussão e ela seguiu sua carreira solo. Henricão faleceu no esquecimento em 1984. Ainda em 1980, lançou o LP "Carmen Costa", pela Continental, interpretando "Garoto de aluguel", de Zé Ramalho; "Dama do cabaret", de Noel Rosa; "Valsa do bordel", de Toquinho e Vinícius; "Morena", de Dalto e "O mundo é um moinho", de Cartola.  Em 1981 lançou com Agnaldo Timóteo o LP "Na galeria do amor", no qual os dois interpretaram músicas como "Olhos nos Olhos" e "Sob medida", de Chico Buarque; "Sangrando", de Gonzaguinha; "Lábios que beijei", de J. Cascata e Leonel Azevedo e "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade. Em 1996 lançou o CD "Tantos Caminhos", pela Som Livre, interpretando sucessos seus como "Eu sou a outra", de Ricardo Galeno, e "Jarro da saudade", de Daniel Barbosa, Mirabeau e Geraldo Blota, além de outras composições como "Esse cara", de Caetano Veloso; "Pressentimento", de Élton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho; "Tantos caminhos", composição sua, em parceria com Marquinhos Lessa e Almir Araújo; "Quase", de Mirabeau e Jorge Gonçalves; "Só vendo que beleza", de Henricão e Rubens Campos; "Xamego", de Luiz Gonzaga e Miguel Lima; "Defesa", de Mirabeau, Jorge Gonçalves e Vital de Oliveira; "Obsessão", de Mirabeau e Milton de Oliveira, e "Ronda", de Paulo Vanzolini, além de um pot-pourri intitulado "Carnaval Carmen Costa", que incluiu as marchas "A marcha do Cordão do Bola Preta", de Nelson Barbosa e Vicente Paiva; "Tem nego bebo aí", de Mirabeau e Airton Amorim, e "Cachaça", de Mirabeau, Lúcio de Castro, Heber Lobato e Marinósio Filho. No ano seguinte, lançou o LP "Com fé eu vou", no qual interpretou os temas tradicionais "Meu coração é só de Jesus"; "Silêncio"; "Maria Concebida"; "Rosa Divina"; "Coração Santo"; "Queremos Deus"; "Bendito Louvado Seja"; "Treze de Maio"; "Com minha mãe estarei"; "Cinco chagas" e "Senhora Aparecida", além da canção "Ave Maria", de Erotides de Campos, e da marcha "Boas Festas", de Assis Valente. Em 1999 apresentou-se com o cantor Elymar Santos durante a turnê do show "Elymar mais popular" tendo se apresentado entre outras casas de espetáculos, no Canecão e no ATL Hall. Em 2002, apresentou-se em baile popular durante o carnaval na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, cantando antigos sucessos como a marcha "Tem nêgo bebo aí", com grande agrado do público. No mesmo ano, comecorou seus 82 anos de idade e 70 de carreira artística com um show no Clube Recreativo Posto Seis em Copacabana no Rio de Janeiro, no qual interpretou seus sucessos como "Tempo de criança", "Está chegando a hora", "Carmelita", "Quase", "Eu sou a outra", "Obsessão" e "Jarro da saudade". Também no mesmo ano, prestou depoimento ao Museu da Imagem e do Som. Em 2003, por ocasião de seus 83 anos, em encontro com o Ministro da Cultura Gilberto Gil, propôs seu "tombamento" como patrimônio artístico nacional como já ocorre em países como a França. Na ocasião cantou para o Ministro a música "Tombamento", composta por ela: "Eu sou a raça/Sou mistura/Sou aquela criatura/Que o tempo  vai tombar/sei que não serei a derradeira/Mas quero ser a primeira/para a história conservar/Senhor Ministro da Cultura/por que não se tomba/Uma criatura/Quando é patrimônio nacional?". Por conta do pedido foi homenageada pelo Museu da República e pelo vereador do Município do Rio de Janeiro Edson Santos com o tombamento simbólico como patrimônio cultural carioca. Em 2004, fez show no Centro Cultural da Justiça, na Cinelândia, RJ na série "Cartão postal da MPB". Um dos grandes nomes da época de ouro do Rádio no Brasil, continuou atuando até o fim da vida apresentando-se anualmente no baile popular do carnaval carioca na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro.

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