Busca:

Carmélia Alves

Carmélia Alves Curvello
14/2/1923 Rio de Janeiro, RJ
3/11/2012 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

A Rainha do Baião está de volta a partir de 2001. Claro que me refiro a Carmélia Alves, que ganhou o título na década de ouro do baião, quando a corte era integrada pelo grande Luiz Gonzaga, o rei, e Claudette Soares, a princesinha. Pois bem, a rainha Carmélia Alves está lançando – com shows em todo o Brasil – seu disco gravado pelo selo paulista CPC da Umes, produzido pela habitual competência de Marcus Vinícius. O CD é todo dedicado a Jackson do Pandeiro e Gordurinha e conta com participações de gente também ilustre, como Inezita Barroso e Luiz Vieira, além de Elymar Santos, que encerra o disco com Carmélia no maravilhoso “Súplica cearense”, um dos mais pungentes hinos nordestinos, escrito com grande força poética por Gordurinha.

Mas onde terá nascido Carmélia, em Pernambuco ou no Ceará, já que levou os ritmos do Norte/Nordeste do país a tamanha conseqüência? Aqui mesmo no Rio, para ser preciso em Bangu, onde ouvia os repentistas de cordel na casa dos pais, em plena década de 30. A menina espevitada do subúrbio logo se faria cantora, entrando para o rádio pela porta mais democrática, os programas de calouros da Rádio Nacional. Num abrir e fechar de olhos foi escalada para cantar na boate do Copacabana Palace, de onde o locutor Murilo Nery transmitia — via Nacional — o célebre “Ritmos da Panair”, que ia ao ar para todo o país depois da meia-noite, ao vivo.

A partir daí, Carmélia passou a ser considerada uma cantora com C maiúsculo no esfuziante meio radiofônico e noturno do Rio. Cantava de tudo, mas o baião só entraria mesmo em sua vida quando, em 1949, gravou ao lado de Ivon Curi “Me leva”, de Hervê Cordovil. Logo em seguida, Carmélia criaria delícias como “Trepa no coqueiro” (Ari Kerner, 1950), “Sabiá na gaiola” (Hervê Cordovil, 1950) e “Cabeça inchada” (Hervê Cordovil, 1951), que fizeram furor no Brasil. E a coroaram com o cobiçadíssimo título de Rainha do Baião, que era o gênero musical mais veiculado nos anos 50. Que, aliás, só declinaria quando a bossa nova explodiu, a partir do comecinho dos anos 60.

Recentemente fui testemunha de nobre gesto da nossa rainha. Carmélia, generosa e solidária como ser humano, promoveu uma noite no Canecão para arrecadar fundos para seus amigos Jorge Goulart e Nora Ney, que enfrentam graves problemas de saúde, além dos financeiros. Pois bem, quando Elymar Santos chamou o casal ao palco e o Canecão tributou uma emocionante consagração a Nora e Goulart, eu próprio tive que amparar Carmélia nos bastidores, que, debulhada em lágrimas, repetia emocionada: “Obrigada, meu Deus, por dar este presente a esses dois grandes cantores.” A cena, assistida por dezenas de pessoas, enterneceu a todos. E engrandeceu Carmélia.

Ricardo Cravo Albin

Mais visitados
da semana

1 Luiz Gonzaga
2 Festivais de Música Popular
3 Chico Buarque
4 Caetano Veloso
5 Música Sertaneja
6 Dorival Caymmi
7 Hermeto Pascoal
8 Música Junina
9 Noel Rosa
10 Gonzaguinha