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Caçula Hilário

Carlos Silva e Souza
25/8/1943 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Desde muito cedo ia para as rádios Nacional, Tupy, Mayrink Veiga para ver e os músicos tocarem e aprender coisas novas. Às vezes ficava o dia inteiro sem comer, era “corrido” pelos contra-regras e na maioria das vezes fora socorrido pelos próprios artistas, que passaram a indicá-lo cuidadosamente para tocar em eventos substituindo ora violonistas, ora cavaquinistas. Foi assim que Arlindo Ferreira várias vezes o indicou para substituí-lo, chegando a acompanhar artistas como Aracy de Almeida.
Aos 16 anos o violonista Rogério Guimarães, chefe do Regional da Rádio Tupy, convidou-o para substituir o cavaquinhista Tico-Tico, primo do Dino 7 Cordas.
Foi levado por Pixinguinha, a quem fazia questão de chamar “seu” Alfredo, à casa de Bide, passando a participar das rodas em sua casa, no bairro de Olaria (RJ) e a fazer parte do regional do eminente compositor integrado por Pixinguinha (saxofone), Bide (flauta), Zé da Velha (trombone de pistão), Caçula Hilário e Severino (violões), Valdemar ou Pintacuda (cavaquinho), Milton (pandeiro), Pedro, irmão do Bide, (surdo).
Substituindo músicos, acompanhou artistas como Emilinha Borba, Vicente Celestino, entre outros. Em uma situação em que substituía o violonista Arlindo Cachimbo na banda que acompanhava Aracy de Almeida, a cantora disse que sem o Arlindo não iria ter show. A condição para que aceitasse Caçula era que fosse feito um ensaio a sós com o músico, no qual acabou ficando surpreendida com a competência do jovem, que conquistou sua confiança.
Na década de 1960 foi tocar contrabaixo elétrico em conjuntos de baile em boates como Arpège, Fred’s, Drink (cujo dono era o cantor Cauby Peixoto) e Sacha, na qual teve oportunidade de trabalhar com o cantor Paulo Marques, substituindo o contrabaixista Tarzã (Silvio César). Chegou a tocar guitarra em uma banda, mas a exigência de ter que deixar os cabelos crescerem fez com que ele e Válter Silva desistissem do negócio.
Em 1964 participou da gravação da trilha sonora do filme “Sol sobre a lama”, de Palma Neto, com música de Pixinguinha.
Em 1965 trabalhou na Philips com o violonista e compositor Luiz Bittencourt, fazendo teste com cantores em busca de espaço e notoriedade. Entre esses, Agnaldo Timóteo, Altemar Dutra, que se tornariam famosos.
Em 1971 viajou como cavaquinista para a Argentina com a delegação de Osvaldo Sargenteli e seu show de sambas e mulatas. Entre os músicos estavam Arlindo Ferreira e Indio do Cavaquinho. Nesse mesmo ano teve oportunidade de conversar com músicos do grupo que acompanhou Amália Rodrigues quando a fadista esteve no Rio de Janeiro, através do programa “Atrações Joaquim Pimentel”, que ia ao ar na Rádio Vera Cruz. Daí nasceu-lhe a ideia de construir uma espécie de contrabaixo com formato de violão. Encomendou-o aos Irmãos Del Vecchio, famosa casa de instrumentos com sede em São Paulo. Este instrumento, que passou a ser usado pelos músicos fadistas, era chamado de violão contrabaixo e os músicos no Rio de Janeiro chamam-no  Baixolão.
Em 1975 foi professor de violão popular no Conservatório Brasileiro de Música.
Dos trabalhos que realizou com fadistas no Rio de Janeiro, até a última metade dos anos 1990, destacam-se aqueles com o cantor Tony Ramos, dono da casa chamada O Fado, em Copacabana (RJ). Trabalhou também em outras casas de Copacabana como o Lisboa à Noite, e A Desgarrada. Acompanhou o fadista de maior sucesso radiofônico e em disco no Brasil, Francisco José, proprietário da Adega de Évora, onde tocava o violonista Xavier Pinheiro, autor da famosa valsa “Elza”. Nesse trabalho teve a oportunidade de acompanhar as fadistas Maria Alcina, Antônio Campos, Manuel Taveira e tocar com os guitarristas portugueses Antonio Pereira e Antonio Rodrigues.
Como instrumentista acompanhou vários artistas, dentre os quais Dalva de Oliveira, Carlos Augusto, Núbia Lafayette, Aracy Cortes, Nélson Gonçalves, Roberto Silva, Paulo Marquês, Marlene, entre outros.

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