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Bugrinha

Icaínara
Circa 1880 Campos, RJ
Circa 1940 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Apresentou-se como cantora e dançarina de maxixe no Rio de Janeiro entre o final do século XIX e começo do século XX. Em 1902, estreou no Parque Rio Branco, em Niterói. Quinze dias depois se apresentou no Teatro High-Life, então situado na Rua do Lavradio, Rio de Janeiro, sendo aplaudida em delírio por numeroso público, segundo informação do cronista Jota Efegê. Em 1903, apresentava-se com sucesso no Teatro Maison Moderne, centro do Rio de Janeiro. Foi contratada para este teatro pelo empresártio Pachoal Segreto, lá permanecendo até 1906. Segundo relato do pesquisador José Ramos Tinhorão, em seu livro "Os sons que vem da rua", "Nessa Maison, "que de moderna só tem o nome" - no dizer irreverente do jornalzinho O Rio Nu - a atração máxima no início do século era a famosa dançarina de maxixe e cantora Bugrinha, que jamais chegaria a grande estrela, apesar do belo físico, mas faria toda a carreira exibindo-se nos palcos mais populares, inclusive nos da cidade de Niterói, capital do estado do Rio de Janeiro, "à razão de três patacas por noite". Ainda em 1903, apresentou-se na inauguração do teatro Cassino Nacional, situado na Rua do Passeio. Segundo nota do jornal "Rua do Ouvidor", ela se saíra muito bem. Segunda a nota "Bugrinha, de Goitacás, foi recebida pelos entusiastas com muitas flores e aplausos". Em 1908, a Revista FonFon publicou foto da artista na qual consta a seguinte nota "Bugrinha, cançonetista brasileira do maxixe, como é conhecida". Diferentes cronistas da vida carioca do começo do século XX a ela se referiram. Segundo Lima Barreto, em defesa de nossas danças, nosso maxixe havia sido "estilizado pela Bugrinha". Já Olavo de Barros, em "A Lapa do meu tempo", "a famosíssima maxixeira Bugrinha fazia crescer a água na boca da marmanjada com seus impressionantes parafusos". Por sua vez, Luis Edmundo em "O Rio de Janeiro do meu tempo", ela era "hors-concours em questão de maxixe". Ainda segundo Jota Efegê, "Artista de variedades, apresentando-se nos vários clubes noturnos da cidade, principalmente na Lapa e Praça Tiradentes, Bugrinha, no apelido que ganhou nas rodas boêmias e passou a impor-se mais do que seu nome Icaínara (que diziam ser indígena), era principalmente carnavalesca. Embora ligada ao Clube dos Democráticos, fazia parte do Grupo dos Abonados e do grupo das Tentadoras, comparecendo assiduamente aos fandangos realizados no castelo (sede social), frequentava também os saraus promovidos pelos Paladinos da Cidade Nova, na Praça 11 de Junho. Em ambas as agremiações sua presença era assinalada, e nas resenhas carnavalescas aparecia como a que mais empolgava nos reboleios do maxixe. (...) Consagrada como maxixeira, Bugrinha não se exibia unicamente em números da acrobática dança. Também cantava couplets maliciosos, pontilhados de double-sens, que arrancavam gargalhadas". Apresentando-se numa época em que as gravações de discos davam seus primeiros passos, destacou-se em apresentações ao vivo não deixando, entretanto, nenhuma gravação. Em 1975, o jornalista Jota Efegê publicou no jornal O Globo um artigo sobre ela intitulado "Icaínara, a Bugrinha, uma maxixeira hors-concours".

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