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Belchior

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernades
26/10/1946 Sobral, CE
29/4/2017 Santa Cruz, RS

Dados Artísticos

Um dos membros do chamado Pessoal do Ceará, que inclui Fagner, Ednardo, Rodger, Cirino e outros. Começou sua carreira apresentando-se em festivais de música no Nordeste, entre 1965 e 1970.  Em 1971 increveu-se no IV Festival Universitário e ganhou o primeiro lugar com a música "Hora do almoço", interpretada por Jorge Melo e Jorge Teles. Na mesma época, conheceu o cantor e compositor Sérgio Ricardo, que escolheu a música "Mucuripe", feita em parceria com o também cearense Fagner, para fazer parte do disco "Bolso do Pasquim", jornal alternativo daqueles anos. Em 1972, começou a obter o reconhecimento nacional a partir da gravação de "Mucuripe" pela cantora Elis Regina. Em seguida, transferiu-se para São Paulo, onde compôs trilhas sonoras para filmes de curtas-metragens. Na mesma época apresentou shows em praças públicas e fez aparições em programas de televisão. Em 1974 lançou seu primeiro disco, "A palo seco", cuja música título tornou-se sucesso nacional. Nesse mesmo ano faria sucesso novamente com a canção "Paralelas", regravada em 1976 pelo cantor Erasmo Carlos no LP "Banda dos contentes" e pela cantora Vanusa. A música "Paralelas" tornou-se um dos grandes hits do final dos anos 1970. Em 1975, o cantor Roberto Carlos regravou a música "Velas do Mucuripe". No mesmo ano lançou pela PolyGram o LP "Alucinação", que vendeu 30 mil cópias em apenas um mês, graças a sucessos como "Apenas um rapaz latino-americano", "Velha roupa colorida", "A palo seco" e, principalmente, "Como nossos pais". Em 1978, lançou o LP "Todos os sentidos". Na mesma época realizou um show com a cantora Simone no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, visto por mais de 100 mil pessoas. Em 1979, voltou a fazer sucesso com a canção "Medo de avião", de sua autoria, que é título do LP lançado pela Warner naquele ano. Em 1982 lançou, também pela Warner, o LP "Paraíso", no qual abriu espaço para os então jovens artistas Guilherme Arantes, Ednardo Nunes, Jorge Mautner e Arnaldo Antunes. Em 1983 fundou a sua própria gravadora e produtora, a Paraíso Discos. No ano seguinte realizou na "Mamute", casa de shows que já não mais existe, o show "Cenas do próximo capítulo", com o qual percorreu todo o país. No LP lançado no mesmo ano, comemorou 10 anos de sucesso com a regravação de "Velha roupa colorida" e "A palo seco". Em 1988 lançou pela PolyGram o LP "O elogio da loucura", lançado no Teatro João Caetano, com recordes de público. Em 1997, tornou-se sócio da gravadora Cameratti. Em 1999, lançou pela BMG o álbum duplo "Auto-retrato" no qual 25 de suas composições receberam novo tratamento e arranjos feitos, dentre outros, por Rogério Duprat, André Abujamra, Ruriá Duprat e Sérgio Zurawski. Como intérprete, não gravou apenas composições próprias, mas também alheias, como "Romaria", de Renato Teixeira, e o disco "Vício elegante", no qual cantou apenas sucessos de outros compositores. Como compositor, teve várias de suas músicas gravadas por outros intérpretes, especialmente Elis Regina, que registrou as músicas "Apenas um rapaz latino-americano", "Como nossos pais", "Velha roupa colorida" e "Mucuripe". Os Engenheiros do Hawaii gravaram "Alucinação". Wanderléa gravou "Paralelas" e Jair Rodrigues "Galos, noites e quintais". Além desses, Erasmo Carlos, Ney Matogrosso, Ednardo e Jessé também gravaram suas composições. A partir de 2001 continuou percorrendo o país, apresentando shows de boa aceitação por parte do público. Em 2002, gravou com Amelinha e Ednardo o CD "Pessoal do Ceará", produzido por Robertinho do Recife, com duas músicas inéditas: o coco-repente "Mote, Tom e Radar", de Ednardo e "Bossa em palavrões", de sua autoria. O restante do CD é composto por obras antigas compostas por ele e por Ednardo. Em 2017, após sua morte, a cantora Lúcia Menezes, sua amiga pessoal, a qual chegou a defender a música “Espacial” aos 12 anos no “IV Festival da Música Popular do Ceará” (em 1968), apresentou ao jornal O Globo cinco músicas inéditas do compositor: “Cateretê”, “Caravele”, “Pindorama”, “Espacial” e uma sem título, além de “Rosa dos ventos”, feita para a própria cantora e não gravada. Em 2017, dois dias após a morte do cantor, várias de suas canções e discos tiveram um "boom" de audiência. As faixas "Apenas Um Rapaz Latino Americano", "Como Nossos Pais", "Alucinação", "Sujeito de Sorte", "Velha Roupa Colorida" e "A Palo Seco" entraram para Top 200 do Spotify, no Brasil. Somadas essas quatro faixas, foram mais de 266 mil reproduções. O álbum "Alucinação", o primeiro de sua carreira, foi o mais acessado de sua discografia. A cantora Daíra Saboia gravou o disco “Amar e mudar as coisas”, em edição do selo Porangareté, com releituras de sua obra.  O álbum teve produção de Rodrigo Garcia e título extraído de verso da letra de Alucinação (Belchior, 1976), que também é uma das músicas do repertório.  O álbum também incluiu Coração selvagem (Belchior, 1977), e Princesa do meu lugar (Belchior, 1980). Também logo após sua morte, uma polêmica sobre seu paradeiro e os registros de sua biografia tomou conta das colunas sociais. Segundo sua irmã, esse registro seria ofensivo e feriria a imagem de Belchior. Uma nova biografia foi produzida a partir de uma entrevista com o cantor em 2005, onde seus depoimentos foram inseridos no livro. Em 2018, um ano após sua morte, o cantor Belchior recebeu homenagens como discos remasterizados. O boxe “Tudo outra Vez”, com seis discos remasterizados, que são eles, Belchior (1974), Coração selvagem (1977), Todos os sentidos (1978), Belchior ou era uma vez um homem e seu tempo (1979), Objeto direto (1980) e Paraíso (1982). Além dos clássicos, “Tudo outra Vez” tem uma versão inédita da canção “Como se fosse Pecado”, que ficou guardada por 40 anos. Essa versão foi censurada na década de 70. 

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