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Bando de Tangarás



Dados Artísticos

Grupo vocal e intrumental que contou com três dos mais importantes nomes da música popular brasileira: Noel Rosa, Braguinha e Almirante. O grupo foi formado em 1929 a partir de uma dissidência do grupo Flor do Tempo formado por volta de 1925 por alunos do Colégio Batista, na Tijuca, para fazer apresentações amadorísticas e participar de festivais. Tendo surgido uma oportunidade para gravar um disco na Odeon, o grupo teve que ser redefinido e acabou por ser dissolvido. Surgiu então o Bando de Tangarás, formado por Henrique Fóreis Domingues, o Almirante, nascido no Rio de Janeiro, RJ em 19/2/1908 e falecido na mesma cidade em

22/12/1980, no pandeiro e vocal; Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha ou João de Barro, nascido na mesma cidade em 29/3/1907, no violão e vocal; Henrique Brito, nascido em Natal, RN em 15/7/1908 e morto prematuramente, aos 27 anos, no Rio de Janeiro, RJ em 11/12/1935, no violão; Álvaro de Miranda Ribeiro, o Alvinho, natural do Rio de Janeiro onde nasceu em 1910, no violão e finalmente, Noel de Medeiros Rosa, no violão, o último a entrar no grupo, nascido no Rio de Janeiro em 11/12/1910 e falecido na mesma cidade em 4/5/1937. O grupo escondia os nomes de seus integrantes atrás de nomes de pássaros, daí o João de Barro para o Braguinha.

O conjunto se definiu como amador. Ninguém do grupo receberia dinheiro para apresentações e apenas aceitariam participações em possíveis lucros com a venda de discos que gravassem. Inicialmente, o grupo procurou seguir os passos de grupos nordestinos como os Turunas da Mauricéia que fazia muito sucesso no Rio de Janeiro na época e passou a cantar músicas de inspiração nordestina.

No mesmo ano de 1929, fizeram a primeira apresentação na "Noite Regional Brasileira", no Tijuca Tênis Clube, no qual cantaram a embolada "Galo Garnizé" e o cateretê "Anedotas", de Almirante; a canção "Pra vancê", de Braguinha; o samba "Minha viola", de Noel Rosa e "Ao cair dos galhos", de Henrique Brito. No mesmo ano, o grupo gravou seu primeiro disco, na Odeon, com solo vocal de Almirante no cateretê "Anedotas" e na embolada "Galo Garnizé", de Almirante. Em agosto do mesmo ano o grupo transferiu-se para a Parlophon e gravou logo dois discos. No primeiro, com vocal de Almirante, registrou o lundu "Vamos falá do Norte" e o samba-embolada "Bole bole", ambas de Almirante e no segundo, com vocal de João de Barro, registrou a canção "Pra vancê" e a toada "Coisas da roça", ambas de João de Barro. Também no mesmo ano, gravou com vocal de Almirante as emboladas "Seu Goiás" e "Paraíba", de Henrique Vogeler, Lamartine Babo e J. Menra e o fado "Sonho de seu Joaquim", de Henrique Brito e Luciano Meireles e, com vocal de João de Barro, as canções "Desengano" e "Assombração", de Henrique Brito e João de Barro. Ainda em 1929, o grupo apresentou-se em programa da Rádio Club do Brasil.

Em 1930, gravou com vocal de Almirante o samba "Na Pavuna", de Almirante e Homero Dornelas, primeiro grande sucesso do grupo e marco na História da música popular brasileira por ser a primeira música gravada com instrumentos de percussão e "Não quero nem amor nem carinho", de Canuto e João de Barro, com vocal de João de Barro. Ainda nesse ano, o Bando gravou com vocal de João de Barro a marcha "Dona Antonha", de João de Barro; o samba "Minha cabrocha", de Lamartine Babo; a toada "A mulher e a carroça", de João de Barro e a canção "Quebranto", de João de Barro e, com vocal de Almirante, os sambas "Chora!", de Lamartine Babo e "Façanhas do bando", de Almirante e o cateretê "Anedotas" e as emboladas "Cadê o toucinho", de Almirante e "Pau pra toda obra", de Almirante e Mário Faccinio. Houve também a gravação da valsa "Lenda dos Tangarás", de João de Barro em interpretação coletiva do grupo.

Em 1931, gravou com vocal de Almirante as marchas "Batucada", de Eduardo Souto e João de Barro; "Dona Araci", de Noel Rosa; "Ge-gê (Seu Getúlio)", de Lamartine Babo e "Dona Emília", de Noel Rosa e Glauco Viana, além dos sambas "Eu vou pra Vila", de Noel Rosa; "Onde você está morando?", de Lamartine Babo; "Madureira", de Homero Dornelas e "É do outro mundo", de Ary Barroso e, com vocal de João de Barro, os sambas "Nega", de Noel Rosa e Lamartine Babo e "Tu juraste...eu jurei" e "Vou à Penha rasgado", de Canuto e João de Barro. Nesse ano, gravou acompanhando três diferentes cantores: com Paulo Neto de Freitas, gravou as canções "Sinhá Ritinha", de Noel Rosa e "Diva", de Paulo Neto de Freitas, com Lucila, os sambas "Agora", de Noel Rosa e "Que mal eu fiz a você?", de André Filho e com Elisa Coelho o samba "Nega baiana", de Ary Barroso e Olegário Mariano e o fox-blue "O que foi que eu fiz", de Augusto Vasseur e Luiz Peixoto. Ainda no mesmo ano, o grupo gravou os três últimos discos na Parlophon interpretando com Pinto Filho e Maria Vidal o cômico "Mulata mal inducada", de Pinto Filho, Luiz Peixoto e o próprio grupo e a paródia "Ai! As crioulas", de Beatriz Ferandes e A . Guimarães; com vocal de Almirante o samba "Por conta do boneco", de Ary Barroso e a cantiga "O eco do teu nome", de Almirante. E, com vocal de Noel Rosa, os sambas "Cordiais saudações" e "Mulata fuzarqueira", do próprio Noel Rosa.

Ainda em 1931, o grupo ingressou na Victor e gravou com vocal de Almirante, os sambas "Para o samba entrar no céu", de Almirante, J. Rui e Nássara e "Não tenho sorte", de Almirante, Nerval, Eurico e Mozart. Gravou em 1932, também com vocal de Almirante os sambas "Nem vergonha, nem juízo!" e "Deixá-los, falá-los", ambos de Almirante. Nesse período inclusive começou a aparecer no selo dos discos a inscrição "Almirante e Seu Bando de Tangarás". Ainda no mesmo ano, foram gravados os sambas "Tava na roda do samba", de Salvador Correia e "Deixa a nega pená", de Paulo Cardoso e as emboladas "Não brinca não", de Noel Rosa e "Cabelo branco", de Almirante e Valdo Abreu. Em dezembro de 1932, o grupo gravou com Gastão Formenti as toadas "Azulão", de motivo popular com arranjos de Almirante e João de Barro e "Um agradinho é bom", também de motivo popular com arranjos de Almirante em disco que foi lançado em março do ano seguinte. Em 1933, o Bando retornou para a Odeon e lançou aquele que seria o último disco do grupo com a cena regional "Festa de São João I e II, de João de Barro, que ocupou os dois lados do disco. O grupo se dissolveu já nesse ano uma vez que as carreiras solos de seus integrantes iam ganhando cada vez mais espaço. O Bando ficou pequeno para Noel Rosa, que ficou com pouco espaço para suas composições e interpretações o mesmo acontecendo com Alvinho, que não sendo compositor, mas cantor, não teve chances de realizar gravações solo com o grupo. Em quatro anos, o o grupo gravou 34 discos com 63 músicas pelas gravadoras Odeon, Victor e Parlophon.

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