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Ataulfo Alves

Ataulfo Alves de Sousa
2/5/1909 Miraí, MG
20/4/1969 Rio de Janeiro, RJ

Crítica

Ataulfo Alves pertence à elite de uma geração de compositores que fixou o samba como gênero musical, liberando-o herança do maxixe. A essa geração, que sucedeu a dos pioneiros Sinhô, Caninha e Donga, pertencem ainda figuras como Ismael Silva, Wilson Batista, a dupla Bide e Marçal e outros bambas.

A diferença entre o samba de Ataulfo e o desses compositores é que, oriundo do sertão mineiro e descendente de um violeiro cantador, ele incorporou à sua música influências da toada rural, daí resultando a cadência arrastada e um certo jeito dolente e melancólico que a caracterizam.

Sem trair jamais o seu estilo, a produção de Ataulfo Alves pode ser dividida em três fases distintas: a primeira, nos anos 30, em que compõe para outros cantarem e que, além de muitos sambas, inclui algumas valsas românticas – como “A você” e “Canção do nosso amor” – de real sucesso; em seguida vem a fase mais importante, em que ele alcança o auge da carreira e se torna o grande intérprete de suas canções. São os anos 40, nos quais mescla suas criações de meio de ano com memoráveis clássicos carnavalescos como “Ai que saudades da Amélia”, “Atire a primeira pedra” e “O bonde de São Januário”; finalmente, chega à terceira, que é a fase da maturidade, síntese refinada do que criou anteriormente e na qual, consagrado, lança obras-primas como “Mulata assanhada” e o nostálgico “Meus tempos de criança”.

Pródigo autor de letras e melodias, parceiro de nomes ilustres – Mário Lago, Wilson Batista, Roberto Martins –, Ataulfo Alves está entre os compositores brasileiros de obra mais extensa, tendo deixado cerca de 400 músicas gravadas.



Jairo Severiano

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