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Assis Valente

José de Assis Valente
19/3/1911 Bahia
10/3/1958 Rio de Janeiro, RJ

Dados Artísticos

Gravado em 1932, seu primeiro samba "Tem francesa no morro" tornou-se sucesso na voz de Aracy Cortes. Por essa época, quando assistiu em um teatro da cidade Carmen Miranda cantar "Sorriso Falso", de Cícero Almeida, ficou fascinado. "Fiquei apaixonado por ela,  não só como cantora, mas como mulher principalmente", confessou um dia. E fez tudo, então, para conhecê-la. Tornaram-se amigos, e Carmen Miranda, sempre que podia, incluía em seu repertório um samba dele. Indo um dia a Vila Isabel, a uma festa em que se declamava muito Olegário Mariano, Menotti del Picchia, etc., e senhoras e almofadinhas baratos da época trocavam muitos bye-byes, sentiu-se inspirado e  fez  o  famoso "Good-bye, Boy", onde criticava o excesso de americanismos na língua brasileira, especialmente para Carmen Miranda, que acabou por se tornar posteriormente  a maior intérprete e divulgadora de seus  sambas. Esse samba foi gravado em 1932 em disco que tinha ainda o samba "Etc...". Teve ainda no mesmo ano gravadas por Moreira da Silva a marcha "Pra lá de boa" e o samba "Oi Maria". Nesse ano, quando estava solitário no quarto onde morava na Praia de Icaraí em Niterói, em pleno Natal, compôs a marcha "Boas festas" que se tornaria a canção natalina mais conhecida  dos brasileiros e uma das poucas do gênero que conseguiu sobreviver. Seu sucesso foi de extrema importância para ele e também para Carlos Galhardo, ambos em início de carreira à época do lançamento em dezembro do ano seguinte, em disco que trazia também o samba "Pão de açúcar", com Artur Costa. Ainda em 1933, na Victor, Carmen Miranda gravou as marchas "Tão grande, tão bobo" e "Lulu" além do samba "Sapateia no chão" e Moreira da Silva os sambas "Abre a boca e fecha os olhos" e "Levante o dedo" e as marchas "Olha à direita" e "Cadê você meu bem". Também nesse ano, Aurora Miranda gravou na Odeon o samba "Sou da comissão de frente" e a marcha "Quando eu queria você", com Milton Amaral. Para as festas juninas deste mesmo ano, compôs "Cai, cai balão" marcha gravada em dupla por Francisco Alves e Aurora Miranda. Ainda em 1933, teve as marchas "Não sei pedir seu coração" e "Beijinhos" gravadas pela cantora Elza Cabral. No ano seguinte, Carlos Galhardo gravou na Victor a marcha "Marcolina" e o samba "Sinos da Penha". Nesse ano, Carmen Miranda gravou com grande sucesso o samba "Minha embaixada chegou" em disco que trazia também a marcha "Té já".  Em 1935, mais quatro composições lançadas por Carmen Miranda, a marcha "Recadinho de Papai Noel" e os sambas "Por causa de você, Ioiô", "E bateu-se a chapa" e "Isso não se atura". Nesse ano, Almirante gravou a marcha "Deixe de ser palhaço" e o samba "Pensei que pudesse te amar",  Mário Reis, o samba "Este samba foi feito pra você", com Humberto Porto e o Bando da Lua, o samba "Mangueira", com Zequinha Reis. Nesse ano, Francisco Alves gravou na Victor as marchas "Olhando o céu todo estrelado" e "Mais um balão". Teve mais quatro composições lançadas pelas irmãs Miranda em 1936, Aurora lançou a marcha "Vem comigo", com Jocelino Reis e o samba "Ao romper da aurora", com Leandro Medeiros e Carmen, a marcha "Ô..." e o samba "Fala meu pandeiro". Ainda nesse ano, a cantora Sônia Carvalho gravou os sambas "Sem você não há prazer", "Você quer se ver livre desse mundo", com Roberto Azevedo e "Eu vivia no morro", o Bando da Lua, as marchas "Cirandinha" e "Só conheço uma" e os sambas "Que é que Maria tem" e "Maria boa", este um grande sucesso carnavalesco e Orlando Silva os sambas "Não é proceder" e "Já é de madrugada". Em 1937, teve lançadas pelas Irmãs Pagãs na Victor, os sambas "O samba começou" e "Tristeza", com Zequinha Reis e por Orlando Silva, também na Victor os sambas "Alegria", com Durval Maia, outro grande sucesso e "Minha intenção", com Nelson Peterson. Também em 1937, Carmen Miranda gravou na Odeon o samba-choro "Camisa listrada" feito exatamente para seu estilo brejeiro e malicioso, que se tornou um dos  sambas preferidos dos foliões naquele ano. "Camisa listrada" chegou mesmo a ganhar o primeiro lugar em concurso  promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro na noite de sexta-feira, véspera de Carnaval, no auditório da Feira de Amostras. Porém, no domingo saiu em jornal a notícia da anulação deste resultado "em virtude do não-comparecimento do presidente da comissão nomeada no edital".  Em 1938, Carmen Miranda lançou o samba-choro "E o mundo não se acabou", uma perfeita crônica sobre o fim do mundo, devido à  possível colisão do cometa Halley com a Terra. Em 1939, teve gravados por Nuno Roland o batuque "Cai sereno" e o samba-choro "Coração que não entende" e por Almirante o samba "É feio, mas é bom" e a marcha "Pequena endiabrada", com Leandro Medeiros. Ainda nesse ano, Cinara Rios gravou o samba "Jarro d'água", que satirizava a falta d'água no Rio de Janeiro, e os Trigêmeos Vocalistas o sambas "Sacrifício demais", com Leandro Medeiros e "Esquece tudo", com Milton Valente. Nesse ano, Carmen Miranda gravou os sambas "Uva de caminhão", cuja letra mencionava a super safra de uva vinda do Sul, quando esta passou a ser vendida em caminhões pelas ruas da cidade e"Deixa comigo".  Em 1940, compôs para Carmen Miranda o samba "Brasil pandeiro", na ocasião em que a cantora voltava ao Rio de Janeiro após sua primeira  viagem aos Estados Unidos. Carmen Miranda não gostou da composição, fato que o deixou desolado. O samba "Brasil pandeiro" acabou sendo lançado pelos Anjos do Inferno no ano seguinte em gravação Columbia e foi incluída no filme "Céu azul", de J. Rui. Ainda nesse ano, teve sua última composição gravada por Carmen Miranda, o samba "Recenseamento" feito para comentar o censo geral do Brasil determinado pelo então presidente Getúlio Vargas. No período de 1933 a 1940, teve um total de 25 sambas e marchas gravados por Carmen  Miranda. Em 1941, Nuno Roland regravou o samba "Maria boa". Em 1942, recuperado da tentativa de suicídio, lançou o samba "Fez bobagem", grande sucesso na voz de Aracy de Almeida em disco de 78 rpm que tinha ainda no outro lado o samba "Amanhã eu dou". Em 1943, teve gravado por Carmélia Alves na Victor a batucada "Quem dorme no ponto é chofer", que marcou a estréia da futura "Rainha do baião" em disco. Seu último grande sucesso foi o amargo samba-canção "Boneca de pano" gravado em 1950 pelo conjunto Quatro Ases e um Coringa". Em 1951, teve o baião "Armei a rede", com Arsênio otoni gravado por Renato Braga na Sinter. Em 1953, Ivan de Alencar gravou o samba "Desprezado sonhador", com Júlio Zamorano e Osvaldo Gouveia e Dora Lopes e o Trio Nagô o samba "Projeto 1000", com Salvador Miceli, ambos na Sinter. Em 1954, Nilton Paz gravou na Columbia a batucada "A Maria é a maior", com Alfredo Goinho e Júlio Zamorano. No ano seguinte, teve a marcha "Boas festas" regravada na Copacabana por Altamiro Carrilho e sua bandinha. Em 1956, Luiz Cláudio gravou na Columbia a marcha "Sai de baixo", parceria com Álvaro da Silva. Em 1957, Marlene gravou os sambas-choro "Jarro d'água" e "E o mundo não se acabou". Aurora Miranda a marcha "Cai, cai balão". Em maiode 1958, dois meses após seu suicídio, teve o samba "Lamento" gravado por Jairo Aguiar na Copacabana. Marlene seria a segunda cantora a gravar-lhe todo um long-playing, 10 polegadas pela Sinter com oito dos seus maiores sucessos, incluindo os sambas-choro no LP "Marlene interpreta sucessos de Assis Valente". Neste ainda registrou a marcha "Cai, cai balão". Após sua morte, suas músicas foram redescobertas. Em 1967, seu samba "Mangueira", com Zequinha Reis, foi gravado por Elis Regina e Jair Rodrigues no "Pout pourri de Mangueira", faixa do LP "Dois na bossa nº3" laçado por eles na gravadora Philips. Em 1969, Nara Leão regravou "Fez bobagem" e Maria Bethânia o samba "Camisa listrada". Em 1972, o primeiro LP dos Novos Baianos trazia como faixa de abertura "Brasil Pandeiro", que alcançou grande sucesso. Em 1973, Chico Buarque, Maria Bethânia e Nara Leão cantaram "Minha embaixada chegou" no filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diégues e Maria Alcina regravou "Maria Boa". Em 1977, a tevê Globo dedicou-lhe todo um programa na série de grandes compositores intitulada "Brasil especial", escrita por Ricardo Cravo Albin e dirigida por Augusto Cesar Vannucci. Na década de 1980, "Brasil pandeiro" deu título a um programa da TV Globo apresentado pela atriz Beth Faria. Ainda em 1980, Carmen Costa regravou "Boneca de pano". Nos anos 1990, a cantora e compositora Adriana Calcanhoto regravou "E o mundo não se acabou",  sem dúvida um de seus sambas mais famosos. Ainda na década de 1990 o musical "O Samba Valente de Assis", sobre a trajetória do compositor, foi encenado no Rio de Janeiro. A música "Brasil pandeiro" voltou a ser extremamente popular em 1994, graças a uma campanha publicitária relacionada à Copa do Mundo. Admirador de sua obra, o escritor e acadêmico Eduardo Portella o considera o maior dentre todos cronistas da MPB e uma das figuras mais interessantes dentre as nascidas na Bahia. Em 2007, estreou no Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil o espetáculo musical "Valente", com direção de Fábio Pilar e com argumento de Colmar Diniz, que segundo definição do diretor, fez uma "fantasia, um delírio pré-suicídio, um vôo da imaginação" que começa retratando o compositor momentos antes de tomar o guaraná com formicida e imaginando os diálogos que não teve com a cantora Carmen Miranda e com o malandro da Lapa Madame Satã. Ao longo do espetáculo são apresentados clássicos do compositor, quase todos interpretados por Marciah Luna Cabral, como "Brasil pandeiro", "Uva de caminhão", "Recenseamento", "E o mundo não se acabou", "Boneca de pano", "Boas Festas" e "Fez bobagem". Em 2011, por ocasião do centenário de seu nascimento recebeu inúmeras homenagens, entre as quais, o show tributo "É do barulho" que foi realizado no Espaço Sesc, no Rio de Janeiro, pelos músicos Moreno Veloso, Domenico Lancellotti, Pedro Sá, Nelson Jacobina e Rubinho Jacobina, integrantes da Orquestra Imperial e que interpretaram clássiscos do compositor como "Brasil pandeiro", "O delegado mandou" e "Uva de caminhão". O tributo contou ainda com as participações de Jorge Mautner, Nina Becker, Diana Dasha e Marcos Sacramento. Em 2012, foi lançada pela EMI a antologia "Assis Valente não fez bobagem - 100 anos de alegria" com dois CDs. O primeiro apresentou gravações feitas depois da morte do compositor por Dóris Monteiro para "Boas festas"; Maria Bethânia e Nara Leão para "Minha embaixada chegou"; Maria Bethânia para "Camisa listrada"; Aracy de Almeida para "Mangueira"; Elza Soares para "Fez bobagem"; Wanderléa com "Uva de caminhão"; Ademilde Fonseca com "Recenseamento"; Marília Pêra com "Tem francesa no morro"; Martinho da Vila com "Batucada no chão"; Isaurinha Garcia cantando "E o mundo não se acabou", e "a interpretação dos Novos Baianos para "Brasil pandeiro". No segundo CD estão gravações originais de sua obra como "Alegria", na voz de Orlando Silva, e "Isso não se atura", na de Carmen Miranda, entre outras.

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