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Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes
2/9/1946 Rio de Janeiro, RJ
4/5/2020 Rio de Janeiro, RJ

Biografia

Poeta. Lerista. Cronista. Nascido no Estácio, na Rua Pedreira, aos três anos a família mudou-se para Vila Isabel, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Começou a compor aos 16 anos, com Sílvio da Silva Júnior. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em Psiquiatria. Em 1973, abandonou a Medicina, passando a se dedicar exclusivamente à música. Publicou vários livros, entre os quais "Rua dos Artistas e Arredores" (Ed. Codecri, 1978); "Porta de tinturaria" (1981), "Brasil passado a sujo" (Ed. Geração, 1993); "Vila Isabel - Inventário de infância" (Ed. Relume-Dumará, 1996), e "Um cara bacana na 19ª" (Ed. Record, 1996), com crônicas, contos e desenhos. Escreveu crônicas para os jornais O Dia (RJ), "O Estado de São Paulo" e O Globo. Lançou em 2006 o livro "Rua dos Artistas e transversais" (Editora Agir), que reúne seus livros de crônicas "Rua dos Artistas e arredores" e "Porta de tinturaria", e ainda trouxe outras 14 crônicas escritas para a revista "Bundas" e para o "Jornal do Brasil". Considerado carioca exemplar em ação e comportamento, sendo frequentador assíduo dos blocos carnavalescos Simpatia é Quase Amor (nome de sua autoria) e Nem Muda Nem Sai de Cima, além de frequentar esporadicamente os bares cariocas Bip-Bip e Bar da Maria. Torcedor do clube carioca Vasco da Gama, o que torna público em suas crônicas. No ano de 1998 estreou o musical "Aldir Blanc, Um Cara Bacana", dirigido e estrelado pelo ator e cantor Cláudio Tovar, baseado em composições de sua autoria, em parcerias com vários melodistas, tais como João Bosco nas "Kid Cavaquinho" e "Lina de passe". Dois anos depois, em 2010, seria a vez do musical "Era do Tempo Rei". Baseado no romance homônimo de Ruy Castro, o musical contou com trilha sonora composta por Aldir Blanc e Carlos Lyra, para o qual compuseram polcas, maxixes, fados e lundus. Trabalhou como roteirista nas revistas "A Tocha da América" e "Fi-lo porque qui-lo". Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais, filmaram e dirigiram o documentário "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá", no qual foi traçado a trajetória do escritor através de suas letras; de sua luta pelo direito autoral e suas paixões pelo clube carioca Vasco da Gama e a Escola de Samba Salgueiro. Também foi lançado o livro "Aldir Blanc - Resposta ao Tempo", biografia escrita pelo jornalista Luiz Fernando Viana, na qual, além da vida do escritor, foram perfiladas 450 letras de sua autoria. No ano de 2016 a Mórula Editorial relançou os livros "Ruas dos Artistas e Arredores", "Porta de Tinturaria" e um outro volume com textos produzidos para o site "No". Também foi lançado um volume com textos sobre jazz "Aldir Blanc - Crônicas Inéditas, com trabalhos publicados na Revista Bundas e em sua coluna no Jornal O Globo, entre outros, além da reedição do livro "Vila Isabel, Invenção da Infância", ampliado com outras crônicas sobre o bairro. Também em 2016 O músico Tiago Prata fundou o bloco carnavalesco "Blanc Bloco", que desfilava pela cidade cantando músicas do compositor. No ano posterior, em 2017, foi lançada a coleção "Aldir 70" (Mórula Editorial) em roda de samba na Livraria Folha Seca, na Rua do Ouvidor, Centro do Rio de Janeiro. No ano de 2019 os jornalistas Hugo Sukman e Marcus Fernando deram início a um documentário, em parceria com o Canal Brasil, sobre a vida e obra do letrista, para o qual foram produzidas oito horas de gravações. No dia 15 de abril de 2020 foi internando no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, com Corona vírus, indo a óbito no dia 4 do mês posterior. Dos diversos textos e depoimentos sobre o compositor, que foram publicados nas midias eletrônicas e impressas, destacamos o de João Bosco, seu principal parceiro e amigo:   "Peço desculpas aos que têm me procurado hoje. Não tenho condições de falar. Aldir foi mais do que um amigo pra mim. Ele se confunde com a minha própria vida. A cada show, cada canção, em cada cidade, era ele que falava em mim. Mesmo quando estivemos afastados, ele esteve comigo. E quando nos reaproximamos foi como se tivéssemos apenas nos despedido na madrugada anterior. Desde então, voltamos a nos falar ininterruptamente. Ele com aquele humor divino. Sempre apaixonado pelos netos. Ele médico, eu hipocondríaco. Fomos amigos novos e antigos. Mas, sobretudo, eternos. Não existe João sem Aldir. Felizmente nossas canções estão aí para nos sobreviver. E como sempre ele falará em mim, estará vivo em mim, a cada vez que eu cantá-las. Hoje é um dos dias mais difíceis da minha vida. Meu coração está com Mari, companheira de Aldir, com seus filhos e netos. Perco o maior amigo, mas ganho, nesse mar de tristeza, uma razão pra viver: quero cantar nossas canções até onde eu tiver forças. Uma pessoa só morre quando morre a testemunha. E eu estou aqui pra fazer o espírito do Aldir viver. Eu e todos os brasileiros e brasileiras tocados por seu gênio."   Sob o título "Aldir Blanc, tão grande quanto Noel Rosa", o escritor Ricardo Cravo Albin também lhe prestou homenagem em sua coluna semanal do jornal O Globo, da qual destacamos alguns trechos:   "Não se surpreendam com o título deste pequeno réquiem, muito sofrido para mim, que dedico ao mais importante letrista da MPB desde Noel Rosa. E por quê? Porque para os que amam e sentem os desvios e as esquinas da alma carioca, há poucos compositores capazes de absorver esses pequenos mistérios, mumunhas e segredos que só o Rio de Janeiro pode ostentar. Noel Rosa foi excepcional na carioquice. Tanto quanto Aldir Blanc. Conheci Aldir Blanc em 1969, muito jovem, nos bastidores de um festival chamado ‘Festival Universitário da MPB’. Estava no júri, até porque eu tinha liberado o Museu da Imagem e do Som para chancelar aquele concurso original de músicas feitas por universitários.  O jovem estudante de medicina Aldir ganhou o festival de 1969 com a canção 'Amigo é pra essas coisas', interpretada pelo MPB 4, em parceria com Silvio da Silva Junior. Até pelo título, já se deduz o caráter solidário e generoso do proceder da poesia, sim, digo poesia, do Aldir. Ao cumprimentar o letrista nos bastidores do Festival demonstrei a ele, como é do meu feitio sanguíneo, o entusiasmo pela sua letra e pela música do parceiro, declarando-lhe o que deveriz ser segredo - o voto do presidente do júri."

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